O Brasil deve figurar entre as economias menos impactadas pelas recentes tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, conforme análise de Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics. Troyjo, economista de 60 anos, detalha que as tarifas iniciais de 25%, somadas às de 12,5% anunciadas em julho, mesmo quando cumulativas para certos produtos, afetam apenas cerca de 15% do valor das exportações brasileiras direcionadas aos EUA. Essa exposição restrita se deve, em parte, ao fato de o Brasil representar pouco mais de 1% das compras totais realizadas pelos Estados Unidos.
Para o economista, a dependência brasileira do mercado americano no setor exportador é significativamente menor quando comparada à de outros parceiros comerciais. Ele ressalta que as tarifas incidem sobre um volume relativamente pequeno das exportações brasileiras, representando também uma fração ínfima do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Essa situação contrasta com a de nações como México, China, Taiwan, Vietnã e Alemanha, que enfrentam um impacto muito mais expressivo devido à sua maior exposição ao mercado norte-americano.
O impacto estimado para o Brasil em termos de exportações potencialmente afetadas pelas novas tarifas é de aproximadamente US$ 6 bilhões. Este valor corresponde a cerca de 1,7% do total das exportações brasileiras e a apenas 0,22% do PIB nominal do país. Troyjo considera essa estimativa como conservadora, uma vez que outros grandes exportadores ainda podem enfrentar investigações comerciais adicionais. Caso novas sobretaxas sejam implementadas, a diferença de impacto em relação ao Brasil tende a se ampliar ainda mais.
Dados consolidados apontam que, em 2025, o Brasil ocupou a 17ª posição entre os maiores fornecedores dos EUA, com exportações totalizando US$ 39,9 bilhões, o que representou 1,2% das importações norte-americanas. No período de janeiro a maio de 2026, o país manteve a 17ª colocação, com US$ 13,9 bilhões exportados, correspondendo a aproximadamente 1% das importações dos EUA. Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 11,1% da corrente de comércio nacional no primeiro semestre de 2026, embora a China lidere com quase 30%.
