O Brasil enfrenta um novo desafio para manter suas exportações de mel para a União Europeia: a necessidade de comprovar que não utiliza antibióticos na criação de abelhas, prática proibida para produtos de origem animal pelo bloco.

Diante da crescente pressão europeia por fiscalização sanitária, o Ministério da Agricultura e Agropecuária (Mapa) teve que criar um procedimento interno inédito. O objetivo é certificar oficialmente que o país não emprega esses medicamentos nem para o desenvolvimento das abelhas, nem para o aumento artificial de sua produtividade. A norma europeia, que visa impedir o uso de antibióticos para acelerar o crescimento de animais em diversas cadeias produtivas, incluiu automaticamente o mel por ser classificado como produto de origem animal.

O Mapa já se posicionou sobre a questão, afirmando em relatório que "não há fundamento zootécnico ou sanitário para utilização de antimicrobianos como promotores de crescimento em abelhas". A pasta destaca ainda que "não há produtos [antibióticos] registrados no Brasil para essa finalidade na apicultura", ressaltando que a produção de mel depende de fatores como recursos florais, clima, genética e manejo, e não de substâncias para aumentar o rendimento. Essa distinção é fundamental, pois difere da pecuária, onde o uso de antibióticos para ganho de peso pode ocorrer.

Produtores brasileiros, representados pela Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel), receberam a exigência com surpresa, considerando-a exagerada dada a realidade nacional. No entanto, a associação apoia a emissão de laudos que atestem a ausência de antibióticos no mel e nas abelhas brasileiras, visando manter o acesso ao mercado europeu. O Brasil não está impedido de exportar, mas as novas exigências entram em vigor em 3 de setembro, exigindo que o governo demonstre a conformidade de seus sistemas de controle até lá.

A produção brasileira de mel atingiu um recorde de 67,3 mil toneladas em 2024, gerando R$ 1,01 bilhão. Embora os Estados Unidos sejam o principal destino das exportações, respondendo por mais de 80% do volume, a União Europeia, que representava cerca de 20% das vendas em 2020-2021 e caiu para 8% em 2025, ainda é considerada um mercado estratégico por remunerar melhor certos nichos e por sua influência regulatória global. A venda para o bloco é vista como um selo de qualidade sanitária para o produto brasileiro.