Depois de cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva, o Cacique Raoni Metyktire deixou a UTI ao apresentar melhor no seu quadro de saúde. Segundo boletim médico do Hospital São Paulo (HSP/Unifesp) divulgado nesta segunda-feira (6), o líder indígena apresentou boa evolução clínica e foi transferido para um quarto de enfermaria. Segundo a unidade, ele segue "estável, consciente, respondendo a comandos, tosse com secreção, afebril, respirando ar ambiente e dieta oral".

No início da semana passada foi constatado, por meio de endoscopia, sangramento no estômago e duodeno. Na ocasião, foi identificado pneumotórax no pulmão direito, que foi drenado sem intercorrências.

Um novo boletim médico será divulgado pelo hospital nesta terça-feira (7), para novas atualizações do quadro de saúde do paciente, que tem 93 anos.

Raoni foi submetido ao procedimento minimamente invasivo para restabelecer o trânsito intestinal após dar entrada na unidade, na sexta-feira (19), com quadro de obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa. Ele foi transferido para São Paulo após ser atendido inicialmente no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop (MT), e seu transporte aéreo foi realizado com apoio do governo de Mato Grosso e de instituições federais e estaduais. De acordo com os médicos, a cirurgia transcorreu sem complicações.

O líder indígena permanece sob acompanhamento intensivo no período pós-operatório.

Raoni deu entrada na unidade hospitalar em Sinop, Norte de Mato Grosso, às 17h do último domingo (14), após ser transferido de avião da região de Peixoto de Azevedo, onde reside. Ele estava em casa, recebendo visitas de lideranças e pajés de seu povo, quando apresentou um episódio de vômito na manhã de sábado.

Desde então, passou por uma endoscopia digestiva alta na terça-feira, realizada sob sedação e sem intercorrências.

Desde sua saída da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Sinop, até o embarque em um hangar anexo ao Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, com destino à capital paulista, o cacique Raoni foi acompanhado pelo médico Douglas Yanai, integrante da equipe assistencial do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros.

Durante a transferência para São Paulo, o paciente permanece acompanhado por dois membros de sua família, além de um médico intensivista e um enfermeiro que compõe a equipe responsável pelo trajeto aéreo, assegurando assistência contínua ao longo de todo o percurso.

No Hospital São Paulo, o acompanhamento será conduzido pelo Dr. Franz Robert Apodaca Torrez, médico-cirurgião e professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, que já vinha monitorando a evolução do caso em articulação com as equipes médicas envolvidas. O planejamento da transferência também contou com a participação do Dr. Douglas Antônio Rodrigues, médico do Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas da Unifesp e responsável pelo acompanhamento da saúde do cacique Raoni há décadas.

No momento da transferência, o paciente encontrava-se lúcido, consciente e orientado, respirando espontaneamente, sem necessidade de suporte ventilatório mecânico, e apresentando estabilidade clínica e hemodinâmica compatível com a realização segura do transporte.