A camisa da Seleção Brasileira tornou-se um palco para a disputa política entre a direita e a esquerda no país. Flávio Bolsonaro (PL), em um discurso recente, chegou a se referir à icônica peça como "camisa do Bolsonaro", reforçando a narrativa de que sua família representa o patriotismo nacional. Essa movimentação busca consolidar uma identidade entre o grupo político e os símbolos nacionais.
Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem utilizado suas redes sociais para demonstrar apoio à Seleção, publicando fotos vestindo o uniforme e defendendo que a esquerda também deve se apropriar das cores verde e amarelo durante o torneio. A estratégia visa mostrar que o patriotismo não é exclusividade de um único espectro político.
Marqueteiros e estrategistas políticos de ambos os lados estão atentos ao potencial eleitoral dessa apropriação. Conforme análise de Matheus Teixeira, especialista em Política, o engajamento gerado por publicações relacionadas à Seleção é notavelmente superior às postagens comuns. Uma foto de Lula com o uniforme, por exemplo, ultrapassou 700 mil curtidas em um fim de semana, evidenciando o poder do futebol em mobilizar o eleitorado.
O embate simbólico se estende a outros discursos. Enquanto Lula explora a soberania nacional, associando a bandeira brasileira a um contexto de possíveis tarifas impostas pelos Estados Unidos, deputados do PT circulam imagens de manifestações bolsonaristas com a bandeira americana, questionando o patriotismo do campo adversário. Essa disputa busca desgastar o oponente e medir quem é percebido como mais patriota, aproveitando a centralidade do futebol na cultura brasileira para gerar capital eleitoral.
