O cientista político Carlos Melo analisou o atual momento da política brasileira, descrevendo-o como um "interregno", um período de transição sem a consolidação de novas lideranças. Utilizando o conceito emprestado do filósofo Antonio Gramsci e popularizado pelo cientista político Sérgio Abranches, Melo explica que o país atravessa uma fase onde estruturas antigas perdem força, mas novas ainda não emergiram completamente.

"O velho está agonizando, mas o novo ainda não nasceu ou não despertou toda a sua potencialidade", afirmou Melo, detalhando que esses períodos de transição são frequentemente marcados pela incerteza e pela permanência de figuras ligadas ao ciclo anterior. Ele ressaltou que "lideranças novas não surgem" nesse vácuo, com setores sociais remanescentes do passado ocupando o espaço por um tempo até que novas forças políticas se estabeleçam.

Melo acredita que a eleição de 2026 pode representar um ponto de virada, com uma possível reorganização política a partir de 2030, marcando o fim de um ciclo que abrangerá o "pós-Lula" e o "pós-Jair Bolsonaro". Novas figuras políticas poderiam, então, se apresentar para disputas futuras, encerrando a fase de instabilidade.

Atualmente, o cenário político é dominado, segundo o professor do Insper, por duas grandes forças de rejeição: o antipetismo e o antibolsonarismo. Essas correntes, que criticam fortemente a realidade pela ótica oposta, despertam seus contrários e definem as bases da disputa política. A força relativa de cada uma, no entanto, pode variar de acordo com a conjuntura e eventos específicos, mas são essas duas forças que moldam o debate político no país.