Segundo a ministra, a democracia vive da confiança que o cidadão deposita nas instituições e que, apesar de os integrantes a administração pública estarem sujeitos a erros, a busca pelo acerto deve ser uma obrigação.

"A democracia vive da confiança que o cidadão tem, que a cidadã tem, nas suas instituições. Eu digo isso com muito lamento pelos momentos que nós estamos passando de descrença e de desanimo com administração pública. Como eu disse, erros são dos seres humanos, são dos nossos limites, mas a busca do acerto é uma imposição, é um dever que todos nós servidores temos para garantir essa confiança que faz com que cada pessoa possa acreditar mais no país", disse.

Sessão sobre Mendonça será adiada após vista no caso Moraes? EntendaLula diz que Moraes prestou "grandes serviços à democracia"Crise no STF pode influenciar na eleição para Senado; entenda A ministra deu a declaração durante participação virtual em um encontro nacional sobre controle interno, que é o conjunto de regras e métodos criados por uma organização para assegurar que as leis e os objetivos da instituição sejam cumpridos. O evento é promovido pelo Conaci (Conselho Nacional de Controle Interno).

Na palestra, a ministra afirmou ainda que não confia em governantes e servidores públicos que desconfiam do controle interno. Para ela, neste caso, quem merece desconfiança é o próprio administrador.

A fala de Cármen ocorreu em meio à crise no STF e um dia após a sessão histórica do Supremo marcada para analisar a eventual abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes em razão de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, do Banco Master.

As conversas entre os dois indicam que Vorcaro recorria a Moraes para pedir proteção diante da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República). Como mostrou a CNN, a sessão de ontem terminou sem definição.

Logo no início do julgamento, Gilmar Mendes apresentou um pedido, denominado juridicamente de "questão de ordem", para que a sessão fosse suspensa e os pedidos de investigação contra Moraes e contra o ministro André Mendonça fossem analisados em conjunto. Mendonça foi acusado por Moraes de improbidade e de atuação seletiva nos casos Master e INSS.

O tema dominou a sessão, marcada por bate-bocas, acusações entre os magistrados e críticas a Edson Fachin, deixando em segundo plano as mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Cármen manifestou-se apenas no seu momento de voto. Ao tomar a palavra, afirmou estar em “profunda consternação e tristeza” com a situação da Corte e disse que o STF provocou um “mal-estar cívico” ao concentrar a atenção do país, às vésperas da eleição, em disputas internas e questões processuais.

Para ela, o julgamento foi marcado por uma “espetacularização” que acabou afastando a Corte do tema que deveria estar no centro da sessão. Cármen também pediu desculpas a Fachin e ao povo brasileiro por considerar que não conseguiu contribuir para que a situação fosse resolvida de maneira mais adequada.