O cenário econômico na América Latina apresentou uma deterioração significativa no primeiro trimestre de 2026, com o Índice de Clima Econômico (ICE) da região recuando 15,5 pontos. O indicador, que mede a percepção geral sobre a situação econômica, caiu de 88 para 72,2 pontos, refletindo uma piora disseminada entre os países e abrangendo tanto as condições correntes quanto as perspectivas futuras.
A pesquisa, realizada pela FGV, destaca que a queda é um fenômeno observado em quase todas as nações com respondentes ativos, com as principais economias latino-americanas sentindo o impacto de forma mais pronunciada. A Argentina foi o caso mais sensível, com seu indicador despencando 34,4 pontos, de 102,7 para 68,3. Brasil, Colômbia e México também registraram quedas relevantes de 15,8, 13,1 e 8,2 pontos, respectivamente.
No Brasil, especificamente, o ICE caiu 15,8 pontos. A análise detalhada revela que o Índice de Situação Atual (ISA) do país sofreu uma retração expressiva de 33,3 pontos, alcançando 77,8 pontos. Em contrapartida, o Índice de Expectativas (IE) permaneceu estável em 66,7 pontos. A FGV aponta que essa piora na percepção da situação atual brasileira parece estar associada a fatores como o aumento da percepção de carestia, pressões sobre o orçamento das famílias e uma certa inércia institucional observada nos primeiros meses do ano.
O relatório também ressalta que os efeitos mais intensos de choques externos ainda podem se manifestar plenamente, pois podem não ter sido completamente captados no início de 2026. No caso argentino, a queda nas projeções de crescimento para 2026, somada a uma deterioração da percepção institucional e aumento das expectativas de inflação, contribuiu para o cenário adverso. Para o Brasil, as projeções de crescimento anual se mantiveram pouco alteradas, e os dados econômicos iniciais do ano não indicaram grandes mudanças, sugerindo que os fatores que levaram à queda do ISA são mais internos e relacionados ao cotidiano do consumidor.
