A escalada do conflito entre Israel e Irã no Oriente Médio causou turbulência significativa nos mercados globais de energia, impulsionando uma rápida valorização do barril de petróleo tipo Brent. Ataques mútuos a infraestruturas vitais de extração e refino de petróleo e gás natural levaram a cotação do Brent, referência internacional, a disparar para US$ 119. A incerteza quanto à oferta global, vinda de uma região estratégica para a produção energética, acendeu um alerta para a economia mundial, temendo impactos inflacionários.

Diante da iminente crise e da contínua alta dos preços, os Estados Unidos intervieram para tentar estabilizar o mercado. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, sinalizou a possibilidade de autorizar a comercialização do petróleo iraniano atualmente armazenado em navios na região, uma medida pensada para aumentar a oferta disponível. Essa estratégia, anunciada durante uma entrevista a um programa de notícias econômicas, teve um efeito imediato, fazendo com que a cotação do barril recuasse para US$ 108, embora ainda permaneça em patamares elevados.

A mais recente intensificação dos confrontos ocorreu com uma série de ataques direcionados. Na quarta-feira, Israel bombardeou o campo de gás Pars, uma instalação crucial que o Irã compartilha com o Catar no Golfo Pérsico. Em retaliação, o Irã atacou a refinaria de Ras Laffan no mesmo dia. Os alvos iranianos se estenderam na madrugada seguinte, atingindo instalações de gás natural no Catar, após ameaças do então presidente dos EUA, Donald Trump, de destruir o campo de gás iraniano de South Pars, um dos maiores do mundo.

O cenário de hostilidades faz parte de um conflito mais amplo que se arrasta há anos, focado no programa nuclear e balístico do Irã. Desde junho de 2025, Israel e os Estados Unidos têm lançado ofensivas contra o país persa. A mais recente onda de bombardeios, iniciada em 28 de fevereiro, incluiu um ataque à capital iraniana, Teerã, que resultou na morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e de outras autoridades, levando à ascensão de seu filho, Mojtaba Khamenei, ao poder. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra nações árabes do Golfo com presença militar americana, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, e bloqueou o estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa da produção global de petróleo, intensificando as incertezas sobre o abastecimento e os preços dos combustíveis.