A escalada das tensões no Oriente Médio, marcada por recentes ataques entre Israel e Irã a instalações críticas de extração de petróleo e gás natural, provocou uma acentuada turbulência nos mercados globais. O barril do tipo Brent, referência internacional para o preço do petróleo, chegou a disparar para US$ 119. A volatilidade, contudo, foi parcialmente contida após uma intervenção dos Estados Unidos.

Diante da iminente crise de preços, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, acenou com a possibilidade de autorizar a comercialização do petróleo iraniano atualmente armazenado em navios na região. A proposta, apresentada durante uma entrevista à Fox Business, visava aumentar a oferta e, consequentemente, aliviar a pressão altista. A notícia surtiu efeito imediato, e a cotação do barril recuou para US$ 108.

Os ataques que motivaram a disparada dos preços incluem a ofensiva de Israel, que atingiu o campo de gás Pars, compartilhado pelo Irã com o Catar no Golfo Pérsico. Em retaliação, o Irã atacou a refinaria de Ras Laffan e, em seguida, instalações de gás natural no Catar. Esses eventos ocorreram em um contexto de ameaças prévias do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que havia advertido sobre a destruição total do campo de gás iraniano de South Pars, o maior do mundo.

O conflito reflete uma rivalidade mais ampla e persistente na região, com tensões elevadas em torno do programa nuclear e balístico do Irã. A instabilidade é agravada por uma série de ataques mútuos e retaliações que caracterizam a dinâmica geopolítica entre os principais atores. O Irã, por exemplo, já havia disparado mísseis contra países árabes do Golfo que abrigam presença militar dos Estados Unidos, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, intensificando a apreensão regional.

A importância estratégica do Estreito de Ormuz, que foi historicamente bloqueado pelo Irã e por onde passa uma parcela vital da produção global de petróleo, agrava as preocupações sobre a segurança da oferta. A incerteza quanto ao fluxo de petróleo e gás dessas nações, que estão entre as maiores produtoras e exportadoras do mundo, é o principal motor da disparada dos preços internacionais, com o barril superando a marca de US$ 100 e mantendo os mercados em alerta constante.