O cônsul-geral do Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, evitou comentar nesta terça-feira (9) em um evento na capital sobre a nova proposta de taxação dos norte-americanos contra o Brasil anunciada na semana passada.

O assunto foi o mais comentado do evento entre economistas e empresários, mas sequer foi mencionado pelo cônsul, que deixou o encontro dizendo apenas que o mercado dos Estados Unidos está aberto para o capital brasileiro.

O empresário, organizador do evento e ex-governador de São Paulo, João Doria, avaliou essa postura do cônsul como um sinal de que os países estão longe de pôr fim a esta tensão econômica e diplomática.

"Se ele tivesse expectativa, ele teria mencionado. Não há mal em se mencionar, não é um tema nem proibido, nem um tema pecador. É uma circunstância que, neste momento, motivou a decisão americana de retomar as sobretágias. É um certo desconforto da diplomacia americana em relação ao posicionamento do governo brasileiro", ponderou.

Para o ex-governador, a solução passa pelo reinício da conversa entre os países. Ele disse que aposta suas fichas no chanceler Mauro Vieira, a quem atribui uma boa capacidade de diálogo, já que o caminho, segundo Doria, não é o confronto, se referindo a uma possível retaliação do governo brasileiro.

Por outro lado, a sensação no evento, entre a maioria dos demais economistas e empresários, foi de otimismo. Ex-ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan declarou que, na visão dele, há pelo menos 60% de chances de avanço nas negociações entre os governos brasileiro e americano.

"Eu diria que hoje há uns 60% de chances de um acordo parcial ou de tarifas suavizadas. E vai haver uma troca de figurinhas, agora está na época do álbum da Copa, troca de figurinhas. Quem quer pôr restrição, não põe prazo. Tudo vai ser resolvido", afirmou.

Outros participantes do evento, representantes de grandes empresas, declararam, por exemplo, que as sobretaxas anunciadas têm impacto restrito, já que importações estratégicas como o café e a carne ficaram de fora da lista de produtos taxados.

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""Se ele tivesse expectativa, ele teria mencionado. Não há mal em se mencionar, não é um tema nem proibido, nem um tema pecador. É uma circunstância que, neste momento, motivou a decisão americana de retomar as sobretágias. É um certo desconforto da diplomacia americana em relação ao posicionamento do governo brasileiro", ponderou."

""Eu diria que hoje há uns 60% de chances de um acordo parcial ou de tarifas suavizadas. E vai haver uma troca de figurinhas, agora está na época do álbum da Copa, troca de figurinhas. Quem quer pôr restrição, não põe prazo. Tudo vai ser resolvido", afirmou."