Carla Zambelli foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em maio de 2025, a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e na adulteração de documentos. Segundo a acusação, ela contratou o hacker Walter Delgatti Neto para executar a invasão.

Relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, o processo resultou na condenação da ex-parlamentar, que atualmente está na Itália e responde em liberdade no país europeu.

Em participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, o jurista afirmou que o aspecto mais preocupante do caso não é propriamente o mérito da decisão italiana, mas a mensagem transmitida por uma das mais altas instâncias judiciais da Itália.

Sampaio explicou que, em democracias ocidentais, os processos de extradição costumam ser divididos entre o Poder Judiciário e o Poder Executivo. Na primeira etapa, cabe aos tribunais analisar apenas a legalidade do pedido, verificando sua compatibilidade com a legislação interna, a Constituição e os tratados internacionais. A decisão política final, em regra, fica a cargo do Executivo.

Segundo ele, o caso ganha relevância porque a negativa não partiu do governo italiano, mas da Corte de Cassação, órgão máximo da Justiça comum do país.

“Se dissesse que foi o Poder Executivo na Itália que negou a extradição, um Poder Executivo vinculado à direita e simpatizante com teses que no Brasil seriam as teses bolsonaristas, a análise política se encerraria por aqui. Mas não. Foi o órgão máximo do Poder Judiciário da Itália, a Corte de Cassação”, afirmou.

Decisão de justiça italiana embasa 52º pedido de impeachment de MoraesAnálise: Julgamento de Eduardo Bolsonaro atrai pressão sobre STFFachin usa reveses internacionais e nova comissão para tentar unir STF O professor destacou que a Corte de Apelação de Roma havia autorizado a extradição, mas a decisão foi revertida pela instância superior. “A Corte de Cassação negou [a extradição] sob o fundamento de que teria havido uma condução pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro equivocada à luz da lei”, disse.

Para Sampaio, esse tipo de manifestação gera preocupação porque representa uma crítica direta à atuação das instituições brasileiras por parte de um tribunal estrangeiro.

“Isso preocupa, preocupa muito, porque nós temos uma decisão jurisdicional do Poder Judiciário de um país estrangeiro dizendo que o Brasil não se comportou bem na arena do processamento e do julgamento daquela ação penal”, alertou.

Apesar da crítica feita pela Justiça italiana, o constitucionalista disse discordar da conclusão adotada pela Corte de Cassação. “No caso concreto, não acho que esteja certa a análise da Corte de Cassação da Itália. Acho que não houve erro de processamento nenhum pelo Supremo Tribunal Federal”, declarou.

Ainda assim, o professor avalia que o episódio revela uma percepção mais ampla sobre o funcionamento da Justiça brasileira fora do país.

“Isso revela um sentimento que transcende o território brasileiro, um sentimento internacional de que há uma condução política na função jurisdicional no Brasil. Esse é o sintoma maior que tem que ser objeto do nosso diagnóstico”, concluiu.

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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Waack: Divergência no STF revela como alas encaram escândalo