Analistas econômicos consideram que o Plano Brasil Soberano 3, anunciado pelo governo para socorrer empresas impactadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, é uma medida insuficiente diante do cenário de protecionismo global. Segundo especialistas, o país necessita de estratégias de longo prazo para se fortalecer no comércio internacional, incluindo o fortalecimento da negociação comercial com Washington e a aceleração de políticas de promoção de exportações e diversificação de mercados.

Economistas alertam que o crédito subsidiado, embora ajude as empresas no curto prazo, pode agravar a situação das contas públicas e dificultar o trabalho do Banco Central no controle da inflação. A pesquisadora Katherine Hennings, da FGV Ibre, ressalta a importância de reduzir a dependência do mercado americano e buscar novos acordos comerciais, um processo que demanda tempo. Ela também aponta que o programa tem flexibilizado suas regras, ampliando o número de beneficiados e potencialmente se tornando um impulso fiscal.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, defende que o programa de socorro seja focalizado e de curta duração. Ele enfatiza que, em um mundo cada vez mais protecionista, a busca por acordos comerciais, como o estabelecido com a União Europeia, é o caminho mais promissor para a indústria brasileira. A ideia seria redirecionar exportações que teriam os EUA como destino para outros mercados, como o europeu.

Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting, concorda que o programa, mesmo utilizando recursos fora do Orçamento, representa um impulso fiscal que complica a atuação do Banco Central na condução dos juros. Ela critica a falta de um "plano de voo" claro na política externa brasileira, que leva a medidas emergenciais. A falta de abertura comercial e um ambiente de negócios hostil também são apontados como entraves para a competitividade do país, resultando em dívida pública potencialmente mais elevada.