O desempenho acompanha a perda de produtividade da economia: no primeiro trimestre, a produtividade medida pelas horas efetivamente trabalhadas recuou 0,5% na comparação anual, segundo a FGV.
Em entrevista ao CNN Money, o colunista Gilvan Bueno afirmou que o crescimento do PIB brasileiro não tem sido sustentado por ganhos de produtividade.
Segundo Bueno, a expansão da economia depende, em grande parte, das commodities e de estímulos pontuais, como programas de transferência de renda, liberação do FGTS e incentivos fiscais.
“O Brasil tem um PIB que cresce, mas não por uma força produtiva”, afirmou.
FecomercioSP: Índice de estoques varejista atinge maior nível desde 2025Bancos privados cobram novas garantias para participar de salvamento do BRBDurigan defende que "imposto do pecado" entre em vigor em 2027 Na avaliação de Gilvan, a estrutura da economia brasileira ajuda a explicar esse cenário. Atualmente, cerca de 70% do PIB é composto pelo setor de serviços, entre 20% e 25% pela agropecuária e apenas 5% pela indústria. Além disso, boa parte dos empregos está concentrada em atividades de menor remuneração.
Dados do IBGE citados pelo colunista mostram que apenas 5% dos brasileiros recebem mais de cinco salários mínimos, enquanto grande parte da população enfrenta dificuldades financeiras e elevado endividamento.
Para Gilvan Bueno, a baixa competitividade do país é resultado de problemas estruturais que envolvem educação, tributação, acesso ao crédito e ambiente de negócios.
Segundo ele, além de investir mais, o Brasil precisa melhorar a qualidade dos investimentos em educação e reduzir barreiras ao empreendedorismo, como a burocracia e a dificuldade de obtenção de recursos.
O colunista também destacou que o país possui oportunidades relevantes em áreas estratégicas, como a geração de energia renovável, especialmente a eólica no Nordeste.
Na sua avaliação, o desafio está em transformar essas vantagens competitivas em um projeto de longo prazo capaz de impulsionar a produtividade, criar novas cadeias produtivas e reter talentos no país.
