A médica brasileira Ana Luíza Gibertoni Cruz, com experiência tanto no SUS quanto no NHS (sistema público de saúde do Reino Unido), aponta paralelos preocupantes entre as crises enfrentadas por ambos os sistemas de saúde universal. Formada e com residência médica realizada em São Paulo, ela migrou para o Reino Unido em 2012 e hoje atua em um hospital em Oxford, lidando diretamente com os desafios de prover atendimento primário adequado sem sobrecarregar os serviços de emergência e hospitais.
O NHS, outrora motivo de orgulho britânico, atravessa uma de suas maiores turbulências. Um plano de dez anos lançado em 2025 visa reformar o sistema através de três pilares: descentralização do atendimento para as comunidades, avanço na digitalização e um foco ampliado na prevenção de doenças. Ana Luíza atribui a crise atual a uma combinação de fatores que também ressoam no contexto brasileiro: décadas de investimentos aquém do necessário, demanda crescente e uma população que vive mais, porém com maior prevalência de doenças crônicas.
As semelhanças entre o SUS e o NHS são profundas, remontando à inspiração britânica de 1948 para a criação do sistema brasileiro. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil indicam que pressões como longas esperas por atendimento primário, desigualdades regionais e escassez de profissionais são desafios crescentes para ambos. A questão do financiamento público da saúde, aliada à necessidade de uma gestão eficiente dos recursos existentes, aproxima as realidades dos dois países, especialmente em face de mudanças demográficas significativas impulsionadas pelo envelhecimento da população.
Ambos os sistemas universais lutam para assegurar acesso e qualidade de atendimento equânimes, independentemente da localização geográfica do paciente. Filas, disponibilidade de profissionais e acesso a exames e tratamentos especializados variam consideravelmente entre regiões, tanto no Brasil quanto no Reino Unido. A médica observa as desigualdades em seu dia a dia em Oxford, onde sua unidade hospitalar beneficia-se de mais recursos do que outras partes do país, evidenciando um "aumento da desigualdade" que se reflete nos tipos de pacientes e problemas atendidos.


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