O Haiti, nação caribenha que recentemente enfrentou o Brasil em campo, vive uma realidade desoladora fora dos gramados, marcada por uma crise econômica persistente. O país acumula sete anos consecutivos de recessão, com uma taxa de inflação anual alarmante de 21%. Este cenário sombrio afeta diretamente a vida de milhões de haitianos, com 5,7 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, consolidando o Haiti como o país mais pobre do continente americano.

Especialistas apontam que os problemas econômicos do Haiti são multifacetados e se arrastam por séculos. A colonização, o isolamento imposto pela França após a independência em 1804 – que incluiu o pagamento de uma indenização exorbitante –, a instabilidade política crônica, instituições frágeis e a vulnerabilidade a desastres naturais recorrentes criaram um ciclo vicioso de dificuldades. A ditadura da família Duvalier, entre 1957 e 1986, é apontada como um período que agravou ainda mais a precariedade econômica e a violência contra a população.

As tragédias naturais também deixaram cicatrizes profundas. O devastador terremoto de 2010 causou centenas de milhares de mortes e deixou mais de um milhão de desabrigados. Mais recentemente, o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021 aprofundou a crise institucional do país. Paralelamente, a ação de gangues criminosas nas ruas tem um impacto econômico direto, com o controle de rotas de transporte, extorsão e o bloqueio do abastecimento de mercadorias, elevando os custos operacionais para empresas e afastando investimentos cruciais para a recuperação.

A economia haitiana, que se baseia principalmente na agricultura, em pequenos serviços e na indústria têxtil de exportação, sofre com a instabilidade. A produção agrícola, por exemplo, tem registrado quedas significativas devido a revoltas, eventos climáticos e a falta de insumos. As remessas enviadas por haitianos que vivem no exterior representam uma importante fonte de renda, mas a restauração da segurança e da autoridade do Estado são vistas como passos fundamentais e urgentes para atrair investimentos, gerar empregos e impulsionar a atividade econômica, necessitando tanto de reformas internas quanto de apoio internacional.