A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência tem enfrentado um crescente número de críticas vindas de dentro do próprio espectro político bolsonarista. O descontentamento ganhou projeção após episódios recentes, como a viagem do senador aos Estados Unidos para participar de uma audiência pública sobre tarifas e a subsequente confirmação de uma taxa adicional sobre produtos brasileiros.
Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Jair Bolsonaro, expôs publicamente suas preocupações, afirmando que a pré-candidatura de Flávio sofre com "problemas de agenda, comunicação, organização e planejamento". Em suas redes sociais, Wajngarten lamentou a falta de "organicidade" que caracterizou campanhas anteriores e sugeriu ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a necessidade de "mexer" na equipe responsável pela pré-campanha, propondo o empoderamento de "grandes lideranças" de diversos setores.
As críticas não se limitaram a Wajngarten. Youtubers influentes como Paulo Figueiredo e Kim Paim também se manifestaram, rotulando a estratégia atual como um "desastre" e um "desastre de comunicação". Figueiredo defendeu uma abordagem mais alinhada ao "bolsonarismo" e criticou a excessiva preocupação com a imprensa, enquanto Paim questionou a produção e divulgação de conteúdo da campanha. Ambos clamaram por uma postura mais combativa e característica do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O cenário de divergências internas também foi evidenciado por desentendimentos em outras frentes. Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD, classificou como "inaceitável" a proposta de Flávio Bolsonaro de adiar a entrada em vigor das tarifas americanas para após as eleições. Adicionalmente, um embate público entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, referente a divergências sobre o quadro eleitoral do PL em Ceará, culminou na renúncia de Michelle à presidência do PL Mulher, adicionando mais um capítulo às tensões dentro do grupo político.
