Segundo apuração da analista de Política Clarissa Oliveira, a nova defesa de Vorcaro, agora integrada pelo advogado Daniel Bialski, ao lado de Sérgio Leonardo, advogado próximo da família, está convicta de que o empresário possui mais informações a oferecer às autoridades do que aquelas apresentadas até o momento.

"Existe um entendimento muito pacificado entre os advogados de Daniel Vorcaro de que ele tem mais elementos a fornecer à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal", relatou Clarissa durante o Live CNN desta segunda-feira (24).

Inquéritos sobre Lulinha e Master só devem ser concluídos após eleiçõesLíder do governo pede à PF e à PGR informações sobre caso "Dark Horse"PF localiza e apreende avião de Vorcaro no Paraguai avaliado em R$ 120 mi A estratégia faz parte de uma terceira tentativa de firmar uma delação premiada, após as propostas anteriores terem sido consideradas incompletas ou omissas tanto pela PF quanto pela PGR.

O primeiro movimento da nova defesa foi solicitar ao ministro André Mendonça, do STF, a extensão do tempo de visita ao empresário no complexo penitenciário. O argumento apresentado é que o tempo disponível para dialogar com Vorcaro é insuficiente para mapear, em detalhes, todas as informações que ele pode fornecer.

"A avaliação é que há mais elementos a serem apresentados que podem ser valiosos para as autoridades brasileiras e que não foram levantados ou mapeados pelas defesas anteriores. E isso passa pela relação de Vorcaro com integrantes do meio político", explicou a analista.

Ela esclareceu que isso não significa que irão surgir novos nomes ou novas informações importantes relacionadas com a crise do Banco Master: "Vai depender do diagnóstico que vai ser feito pelos advogados."

Clarissa destacou que a avaliação da defesa é de que as estratégias anteriores falharam em algum momento e que Vorcaro teria elementos suficientes para convencer a PF, a PGR e o Supremo Tribunal Federal a mudarem de posição.

Durante as investigações da PF, as propostas de delação apresentadas anteriormente foram repetidamente consideradas insuficientes.

Segundo Clarissa, a Polícia Federal chegava a afirmar que já possuía as informações trazidas por Vorcaro, questionando se havia alguma novidade.

"Tem uma especulação no meio político de que ele teria retido informações com a esperança de ser 'salvo pelo sistema', que ele teria omitido parte das informações que ele teria", afirmou a analista.

A defesa, no entanto, não garante que uma nova proposta de delação será necessariamente apresentada. De acordo com a analista, caso o diagnóstico feito pelos advogados indique que não há elementos suficientes para embasar uma nova colaboração, a proposta pode não ser formalizada.