Nem todo conteúdo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem o mesmo peso, e conhecer o histórico da avaliação pode fazer diferença na hora de revisar e encarar a prova. Um levantamento das questões aplicadas nos últimos 14 anos mostra quais competências são mais cobradas em cada área, onde estão concentradas as perguntas mais fáceis e quais assuntos merecem atenção especial dos candidatos. Em Matemática, por exemplo, quase 20% das questões envolvem a capacidade do aluno em resolver problemas com porcentagem, conjuntos numéricos ou juros.
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Com base nos microdados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o professor Ademar Celedônio, diretor de ensino da Arco Educação, cruzou informações de mais de 2.500 questões com as respectivas competências e níveis de dificuldade.
O exame será realizado nos próximos dois domingos. No dia 8, os candidatos farão a redação e as provas de Linguagens e Ciências Humanas; no dia 15, é a vez de Ciências da Natureza e Matemática. As quatro áreas são organizadas em 30 competências.
Segundo Celedônio, na competência mais recorrente em Matemática, um quarto das questões analisadas é considerado fácil, enquanto 15% são muito difíceis. Como o Enem utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), método que leva em conta a coerência do padrão de respostas, o professor recomenda priorizar o acerto de questões fáceis e muito fáceis — em Matemática, são aquelas que exigem interpretação de gráficos e tabelas, embora essas estejam na competência menos cobrada.
— A estratégia é começar a prova por essas perguntas, depois passar àquelas relacionadas à competência mais recorrente e, por fim, resolver o restante — diz o pesquisador.
Em Ciências Humanas, mais de 19% das questões aplicadas desde 2012 estão relacionadas a uma competência que mistura principalmente as disciplinas de História e Sociologia, com temas como cultura material e imaterial, diversidade cultural e construção da memória.
Em 2024, por exemplo, a prova apresentou uma questão na qual pedia para o aluno descrever os aspectos culturais que mudaram da Idade Média para a Moderna que influenciaram na popularidade da valsa vienense. Segundo o levantamento, é nessa competência mais comum que se concentram as questões mais fáceis da área.
Na sequência, aparecem competências que cobram do aluno conhecer movimentos sociais, revoluções, conflitos econômicos, paisagens e biomas. O professor de História Rafael Guedes, que coordena a disciplina no Pensi, recomenda resolver provas antigas e identificar os assuntos mais frequentes. Segundo ele, os candidatos costumam errar questões das competências mais cobradas em História, Geografia, Filosofia e Sociologia porque exigem leitura atenta de textos que demandam interpretação apurada.
— Como se trata de uma prova extensa, grande parte dos erros decorre da desatenção e do cansaço, além da dificuldade de interpretar textos em pouco tempo — frsa o professor. — Nesta reta final, o aluno deve praticar com questões antigas, mas também desacelerar e chegar descansado à prova.
— É exigido que o candidato reconheça as principais variantes, levando em conta que não pode haver preconceito linguístico. Cada falante precisa ser “poliglota” na própria língua e usá-la de acordo com o contexto comunicativo.
Uma questão que ilustra tal quadro ficou famosa em 2018, quando o exame abordou a linguagem Pajubá que, segundo o texto de apoio do Enem, seria o “dialeto secreto utilizado por gays e travestis”.
Para o segundo domingo de prova, os professores recomendam começar a prova de Ciências da Natura por Biologia, que concentra a maior parte das questões fáceis da área. No ano passado, entre as 15 questões de menor dificuldade desse bloco, oito eram de Biologia. Os temas incluíam meio ambiente, biocombustíveis e química ambiental.
Entre as áreas avaliadas desde 2012, Ciências da Natureza é a que apresenta a distribuição mais equilibrada de questões entre as competências. Três delas concentram a maior parcela das perguntas, com 14% cada: as que exigem conhecimentos de física e química para interpretar ou propor intervenções científico-tecnológicas; a que aborda a relação entre ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico e social; e, em química, os conteúdos que incluem cálculos de concentração de soluções e processos de produção e armazenamento de energia.
— Vale refazer questões de provas anteriores sobre concentração de soluções, especialmente aquosas. Outro tema recorrente é a termoquímica, com cálculos de entalpia pela energia de ligação ou pela lei de Hess. Também é preciso compreender o funcionamento de pilhas e baterias e calcular a diferença de potencial — explica Guilherme Coelho, professor de Química da Escola Sá Pereira, no Rio.
Linguagens: língua estrangeira, literatura e argumentação; questões sobre movimentos e gêneros literários; pontos de vista; estratégias argumentativas e comparação entre opiniõesCiências Humanas: cultura e identidade; conflitos; sociedade e natureza; questões sobre cultura material e imaterial; diversidade cultural; construção da memória; movimentos sociais; meio ambiente e paisagem.Matemática: números e operações; álgebra e grandezas, questões envolvendo conjuntos numéricos; porcentagem; juros; funções; unidades de medida e cálculo de volumeCiências da Natureza: ciência e tecnologia; física e química; questões sobre ondulatória; biodiversidade; termodinâmica; eletromagnetismo e transformações químicas.
*Estagiário sob supervisão de Fernanda Freitas
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