A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou um pedido junto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), buscando autorização para que o político possa se submeter a uma cirurgia no ombro direito. A intervenção médica está agendada para o final desta semana, especificamente entre a próxima sexta-feira, dia 24, e sábado, dia 25. A solicitação se faz necessária devido ao status de Bolsonaro, que atualmente se encontra sob prisão domiciliar humanitária, uma condição estabelecida pelo próprio Moraes para permitir sua recuperação de recentes problemas de saúde.

Segundo o relatório médico apresentado pela defesa, Jair Bolsonaro apresenta um quadro de “dor persistente e incapacidade funcional” no ombro direito. Essa condição tem exigido o uso diário de medicamentos para controle da dor, mesmo após a tentativa de tratamentos conservadores. Exames físicos e de imagem detalhados revelaram uma “lesão de alto grau do tendão do supraespinhal, com retração importante”, além de “comprometimento do terço superior do tendão do subescapular, subluxação da cabeça longa do bíceps e lesões associadas”. Diante da gravidade, foi formalmente indicado um procedimento cirúrgico por via artroscópica para a fixação das lesões do manguito rotador do ombro direito e demais lesões associadas.

A petição enviada a Moraes não se limita apenas à autorização da cirurgia em si, mas abrange “todos os atos médicos preparatórios, pré-operatórios, internação, realização do procedimento, pós-operatório e reabilitação correlata diretamente vinculados ao tratamento cirúrgico indicado”. Este pedido reitera a necessidade de aval judicial para procedimentos médicos do ex-presidente. Em março deste ano, Bolsonaro já havia sido internado por duas semanas e diagnosticado com “broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa”, necessitando de tratamento intensivo.

A concessão da prisão domiciliar humanitária por 90 dias, formalizada em 27 de março por Moraes, visava justamente garantir a adequada recuperação do ex-presidente após sua alta hospitalar. A decisão do ministro à época ressaltou a natureza delicada de sua saúde e a necessidade de monitoramento. Esta não é a primeira vez que Bolsonaro enfrenta questões de saúde complexas, especialmente após o atentado a faca sofrido em 2018, que resultou em diversas cirurgias abdominais e complicações gastrointestinais. A atual lesão no ombro soma-se a um histórico médico que exige atenção e acompanhamento contínuo.