A defesa do senador Jaques Wagner ingressou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) visando a anulação de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal contra o parlamentar. A equipe jurídica alega a ocorrência de "erros graves que comprometem a medida", centrando seu principal argumento na contestação de que o senador teria atuado em favorecimento do banco Master no Congresso Nacional.
Segundo a investigação da PF, um dos supostos atos de favorecimento teria ocorrido durante a tramitação de uma Medida Provisória que visava aumentar o limite de crédito consignado. No entanto, a defesa de Wagner sustenta que a emenda apresentada por ele ao texto, que propunha limitar os juros e proteger os consumidores, na verdade contrariava os interesses do banco. A emenda específica previa que "Os juros para todas as modalidades de crédito consignado, independente do momento em que foi contratado, não poderá exceder ao limite de 300% da taxa média de juros dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI)".
Outro ponto levantado pela investigação como favorecimento diz respeito à tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a autonomia financeira do Banco Central. A defesa esclarece que o senador se posicionou contra a chamada "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), teria inclusive reforçado em nota que não foi procurado pelo líder do governo para tratar do assunto, segundo a defesa.
Em relação aos valores em espécie apreendidos em endereços ligados ao líder do governo no Senado, os advogados de Jaques Wagner afirmam que o dinheiro possui "origem lícita e comprovada". A defesa detalha que parte dos valores é proveniente de diárias declaradas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida através de operações financeiras oficiais e devidamente registradas. A operação, que também teve familiares do senador como alvos, gerou reações no Palácio do Planalto, com uma ala do governo avaliando que o episódio prejudica a imagem da gestão e defendendo a substituição de Wagner na liderança.
