A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve concluir nos próximos dias a análise das informações apresentadas pela defesa do ex-banqueiro André Vorcaro em uma nova proposta de delação premiada. A Polícia Federal (PF) já comunicou a rejeição da proposta por duas vezes, alegando falta de consistência nas informações fornecidas.
Interlocutores do Ministro da Justiça, Flávio Dino, indicam que a permanência de Vorcaro na Superintendência da PF no Distrito Federal está diretamente ligada ao desfecho das negociações para um possível acordo de colaboração premiada. Caso não haja perspectiva de avanço nas tratativas, a tendência é que o ex-banqueiro seja transferido para uma unidade prisional comum. Ainda não há definição sobre o destino exato, mas especula-se que ele possa retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A avaliação entre auxiliares de Dino é que uma eventual transferência não seria automática após a manifestação da PGR, mas sim uma consequência direta do encerramento das negociações sobre a delação. A nova proposta foi protocolada na PGR entre os dias 1º e 2 de junho, com um conteúdo ampliado. O documento detalha a relação de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes e inclui informações sobre o financiamento do filme "Dark Horse", a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A PGR tende a seguir o entendimento da Polícia Federal, cujos investigadores consideram que as informações apresentadas pelo ex-banqueiro não possuem solidez suficiente para embasar um acordo de colaboração premiada. Em contrapartida, a defesa de Vorcaro afirma que a proposta foi reformulada com fatos inéditos e registra avanços relevantes. Os advogados sustentam a consistência do material apresentado e defendem sua aceitação pelas autoridades.
