A negociação para a aceitação da delação premiada de Vinicius Vorcaro segue em um impasse, com a Polícia Federal (PF) demonstrando insatisfação com as propostas apresentadas até o momento. Investigadores avaliam que Vorcaro ainda não entregou a totalidade das informações e detalhes que esperam obter, o que tem gerado frustração no andamento do processo. A expectativa é que Vorcaro permaneça detido por pelo menos mais três ou quatro meses, prolongando sua estadia na Superintendência da PF ou no Complexo Penitenciário da Papuda, possivelmente até o fim do período eleitoral.

Diante da resistência e da percepção de que informações cruciais ainda estão sendo retidas, parte do círculo de defesa de Vorcaro aposta que a Procuradoria-Geral da República (PGR) possa encaminhar a delação. Uma resposta oficial sobre a aceitação ou rejeição da nova proposta era aguardada para o final da semana. Vorcaro continua a adicionar informações ao material já apresentado, enquanto a questão da homologação pelo relator André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF), ainda pende. Paralelamente, a Justiça das Bahamas oficializou a liquidação do Banco Master, o que pode auxiliar na recuperação de ativos financeiros internacionais da instituição.

Analistas políticos apontam para uma guerra de versões em torno do caso. Enquanto o entorno de Vorcaro sugere uma possível má vontade da PF e da PGR em fechar o acordo, atribuindo isso a conexões políticas com o STF e o Palácio do Planalto, os investigadores defendem que o colaborador tem entregado poucas informações e estaria ocultando recursos. "Ele diz que deu dinheiro para um contrato, por exemplo, mas ele não diz que aquela autoridade deu de volta com algum benefício a partir do exercício de sua função", explicou um analista, ilustrando a complexidade das informações que ainda faltam ser detalhadas.

Especialistas também comentam que a ampla rede de relacionamentos de Vorcaro pode ter atuado para sinalizar que a delação não seria vantajosa para ele, e que muitas pessoas em Brasília torcem para que o acordo não avance, a fim de evitar desgastes políticos. Para que a colaboração premiada seja aceita, é fundamental que o colaborador confesse os crimes cometidos, algo que, segundo alguns relatos, ainda seria uma peça faltante. Além disso, há questionamentos sobre a forma e a base de cálculo do ressarcimento de cerca de R$ 60 bilhões, que está sendo negociado, tornando a linha entre o que as autoridades já possuem para incriminar Vorcaro e o que pode vir a seu favor, bastante tênue.