O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) classificou como "indevida intervenção judicial" e "criminalização da atividade política" a recente decisão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões das contas de Valdemar Costa Neto. Em nota oficial, Motta argumentou que a decisão "limita-se a inferições e a tentar criminalizar a atividade política", uma vez que, segundo ele, "não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas".
A medida judicial, embasada por apurações da Polícia Federal, investiga a participação de deputados federais no suposto esquema de "orçamento secreto" liderado por Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. A PF busca determinar se os parlamentares tinham conhecimento, participaram ativamente ou foram omissos diante do uso de seus nomes em emendas que teriam sido direcionadas por Costa Neto, mesmo este sem exercer mandato parlamentar.
A investigação da PF também abrange a possibilidade de que alguns deputados não tivessem ciência de que seus nomes apareciam formalmente como solicitantes dos recursos. O inquérito visa apurar a "participação, ciência, adesão ou inconsciência" dos parlamentares citados nos documentos, utilizando o termo "inconsciência" para indicar eventual desconhecimento sobre o uso de suas assinaturas em indicações de emendas.
A defesa de Valdemar Costa Neto, em nota enviada à imprensa, considerou "natural" sua articulação política e negou a prática de qualquer crime. A defesa alega que a decisão judicial se baseia em premissas frágeis e questiona a legalidade da ação. Por outro lado, o deputado Hugo Motta reafirmou a confiança no trabalho dos servidores da Câmara e na normalidade do funcionamento administrativo dos mandatos, quando as indicações de emendas são operacionalizadas por suas equipes, conforme orientação partidária.
