O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), que concorre a uma vaga no Senado por São Paulo, declarou que a possibilidade de os Estados Unidos realizarem operações militares em território brasileiro é uma "ilação" da esquerda e que tal cenário "jamais acontecerá". A declaração surge em meio à classificação de facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos EUA. Derrite, que é capitão da Polícia Militar da reserva e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, argumenta que os EUA, ao classificarem as facções como terroristas, estão agindo com base em tratados internacionais que visam combater a atuação transnacional dessas organizações, que afetam a vida da população americana e envolvem lavagem de dinheiro.

Em entrevista, Derrite afirmou que a "esquerda tem dificuldade com esse tema [da segurança pública], porque tem uma outra visão de mundo". Ele criticou a postura do PT em relação a medidas de segurança, citando votos contrários à interrupção da saída temporária de presos e o lobby contra a redução da maioridade penal. O candidato ao Senado, que integra a chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, defendeu que a classificação das facções como terroristas abre uma "janela de oportunidade gigantesca" para o Brasil, especialmente na cooperação com setores de inteligência americanos para rastrear lavagem de dinheiro.

Derrite, que busca consolidar seu espaço na direita paulista ao lado de André do Prado (PL) e Ricardo Salles (Novo) na disputa pelo Senado, também abordou a questão da soberania nacional. Segundo ele, a existência de "Estados paralelos" em comunidades dominadas por facções no Rio de Janeiro já representa um desafio à soberania. Sua visão é que a cooperação internacional, especialmente com os EUA, pode ser uma ferramenta valiosa para o combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, sem que isso represente uma ameaça à soberania brasileira.

O deputado federal, em seu segundo mandato, aparece com 10% das intenções de voto em pesquisa Datafolha para o Senado em São Paulo, em empate técnico com outros candidatos de direita. Ele reiterou seu compromisso com a chapa liderada pelo governador Tarcísio de Freitas, enfatizando a lealdade ao grupo político e a importância de trabalhar em equipe para alcançar a vitória nas eleições. Derrite também comentou sobre a importância de colocar a vítima no centro do debate público, embora sua gestão na secretaria tenha sido marcada por polêmicas envolvendo letalidade policial e denúncias de corrupção.