Profissionais de saúde e voluntários que atuam na linha de frente do combate ao surto de ebola na República Democrática do Congo têm enfrentado ataques violentos, motivados por uma onda de desinformação e boatos que circulam entre a população e nas redes sociais. Um incidente recente em Bunia ilustra a gravidade da situação: voluntários da Cruz Vermelha foram agredidos por uma multidão enquanto tentavam realizar um enterro seguro de uma vítima da doença. Os agressores acreditavam que o caixão continha apenas ar e que o ebola não era real, ou que a equipe humanitária buscava apenas lucros.

Esses ataques são parte de um padrão preocupante que tem prejudicado os esforços de contenção do ebola, que já infectou mais de 1.750 pessoas e causou 600 mortes no país desde maio. Alegações falsas incluem a negação da existência do vírus, acusações de que profissionais de saúde infectam deliberadamente as pessoas ou colhem seus órgãos, e que a resposta ao ebola é um esquema para arrecadar dinheiro. A BBC Verify identificou pelo menos 12 casos de resistência comunitária, incluindo agressões a centros de tratamento e interferências em procedimentos funerários.

Um dos maiores desafios enfrentados pelas equipes de saúde é a resistência aos chamados "enterros seguros". Como o corpo das vítimas de ebola pode permanecer altamente infeccioso mesmo após a morte, práticas funerárias que envolvem contato direto com o falecido, comuns na cultura local, representam um risco significativo de propagação do vírus. A desinformação sobre a natureza do ebola e o medo do que acontece nos centros de tratamento levam muitas famílias a abandonarem os doentes ou a resistirem às medidas de segurança, acreditando que os centros são locais de morte garantida.

A desinformação sobre o ebola é descrita como uma das maiores aliadas da epidemia. A negação da doença, a crença em feitiçaria como causa e o medo das quarentenas resultam em pacientes que buscam ajuda tardiamente, diminuindo suas chances de sobrevivência. A comunidade científica e as organizações de saúde buscam estratégias para combater esses boatos, enfatizando a importância da confiança e da comunicação transparente para garantir a segurança de todos e a eficácia das ações de controle da doença.