A data foi oficializada em meados de 2020, época em que foi promulgada a Emenda Constitucional nº 108, responsável por tornar permanente o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Prouni 2026: inscrições para lista de espera abrem nesta quarta (26)64,8% dos alunos saem do ensino médio sem aprender português adequadamente6 a cada 10 alunos terminam ensino médio com aprendizado abaixo do esperado Em entrevista à CNN Brasil, Wilton Ormundo, diretor pedagógico geral da escola Móbile, e Júlia Borges Lima, diretora-geral do Instituto Sol, comentaram sobre as atuais limitações desse setor educacional no Brasil e como ele pode evoluir ao longo dos próximos anos.
"Educação exige investimento financeiro constante, sobretudo na formação de excelência de educadores qualificados, que é o que de fato viabiliza os desafios que descrevi acima, tanto na rede pública quanto na privada", comentou Ormundo.
O especialista aponta que há três desafios centrais enfrentados pela educação de base: formar a autonomia moral e intelectual dos alunos, desenvolvendo seu pensamento crítico; preparar crianças e adolescentes para que consigam desenhar seus próprios projetos de vida e sustentar uma política de cuidado individualizado; e desenvolver neles competências como criatividade, resiliência, abertura ao novo e trabalho cooperativo.
"Nesse debate, os anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, ainda recebem menos atenção do que deveriam. É justamente nessa etapa que lacunas de aprendizagem começam a se acumular, a relação do estudante com a escola muda e a adolescência traz novas demandas, interesses e desafios", completou Lima.
Wilton e Júlia reforçam a necessidade de olhar para a educação de forma integral e para além de apostilas em sala de aula. "Especialmente na adolescência, ensinar conteúdos é fundamental, mas não suficiente. O jovem precisa conseguir enxergar por que aquilo que aprende importa e quais possibilidades concretas a educação pode abrir para seu futuro", explica a diretora.
Embora o setor escolar básico não esteja em seu ápice, algumas medidas e projetos já estão sendo implementados para que a divisão seja aprimorada e torne-se mais abrangente com estudantes da rede pública.
"Educação de qualidade se faz com investimento financeiro em pesquisa e, sobretudo, em educadores. Nesse quesito, a inteligência artificial ocupa um lugar que pode ser revolucionário: ela já muda a forma como planejamos aulas, personalizamos o ensino e construímos avaliações mais precisas e ágeis; todavia, revolução não é sinônimo de substituição", defendeu o especialista da Móbile.
Destacando um cenário promissor, Lima indicou que os últimos resultados de pesquisas do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) já registraram avanços nas três etapas educativas, registrando recordes na fase fundamental de ensino.
O indicador é composto pelo desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e pelas taxas de aprovação apuradas do Censo Escolar.
"Ainda que tenham um papel insubstituível na garantia do direito à educação e na construção de políticas em escala, empresas e organizações da sociedade civil também devem atuar de maneira complementar ao que o poder público consegue fazer. Mais do que buscar uma solução única, precisamos construir uma rede de soluções", finaliza Júlia.

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