O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, em entrevista exclusiva, exaltou o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, classificando-o como um modelo único que pode servir de aprendizado para outras nações. Adhanom destacou a importância do SUS como um direito humano fundamental, acessível a todos, e mencionou a sua própria experiência pessoal com a saúde primária brasileira em 2006, que o inspirou em sua gestão na Etiópia. A declaração reforça o reconhecimento internacional do sistema de saúde brasileiro.
Em sua análise sobre o papel do Brasil na saúde global, Adhanom apontou três contribuições cruciais. Primeiramente, a rede de cuidados do SUS, que serve de inspiração internacional. Em segundo lugar, a capacidade do país em produção local de vacinas, como a da Fiocruz, que pode suprir falhas na distribuição equitativa global, um problema evidenciado durante a pandemia de Covid-19. Por fim, o engajamento brasileiro na negociação do Acordo de Pandemias, liderado pelo presidente Lula, é visto como essencial para a prevenção de futuras emergências sanitárias.
Apesar dos elogios ao SUS, Adhanom expressou um tom de alerta quanto ao futuro da luta contra epidemias e doenças. Ele manifestou preocupação com a possibilidade de não se atingir a meta de fim da emergência global do HIV até 2030, citando cortes de financiamento por parte de diversos países e a tensão geopolítica como fatores que podem reverter os avanços conquistados. O diretor-geral lamentou ter que dar essa "má notícia", sugerindo a necessidade de novas estratégias para além do prazo estabelecido.
Adhanom também abordou a complexa situação do surto de Ebola na República Democrática do Congo, ressaltando que a dificuldade no controle se deve, em grande parte, ao ambiente de conflito e à fome que assolam a região. A falta de acesso seguro e a fragilidade do sistema de saúde local impedem a detecção e o rastreamento de casos, elevando o risco de propagação para países vizinhos. Ele enfatizou que, embora a preocupação com o Ebola para o resto do mundo seja baixa, a situação humanitária exige atenção e apoio, inclusive através de cessar-fogos para facilitar o trabalho das equipes de saúde.
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