A dívida bruta do governo federal atingiu seu pior patamar em junho, registrando 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Este índice representa o maior nível desde 2021, período marcado pela pandemia de Covid-19, e confirma o cenário de "trajetória explosiva" que técnicos do Tesouro Nacional já previam há dois anos. Na época, essas projeções foram classificadas por auxiliares presidenciais como alarmistas, mas agora se mostram até conservadoras, pois consideram um resultado primário das contas públicas dentro das metas, o que não tem se concretizado.
A análise indica que o governo e o Congresso Nacional perderam uma oportunidade crucial de reverter essa tendência. Em vez de adotar medidas robustas para conter o crescimento das despesas obrigatórias, a gestão optou por um caminho de "pequenez", com foco nas eleições municipais. O pacote de contenção de gastos, que gerou debates internos e desconfiança do mercado devido à escalada do dólar e incertezas fiscais, foi significativamente "desidratado" no Congresso, com apoio inclusive de setores da oposição que se autoproclamam fiscalmente responsáveis. A economia gerada, embora insuficiente, foi utilizada para abrir espaço a novas despesas, descaracterizando um corte efetivo.
Após a aprovação das medidas fiscais, a percepção de inação em todas as esferas de poder levou à desmobilização das expectativas de controle. O mercado passou a aguardar por 2027, o que resultou em um aumento nos juros de longo prazo no Brasil, atingindo patamares de 7% a 8% ao ano. Esse cenário é considerado insustentável para a economia real, afetando empresas, investimentos e o cotidiano dos brasileiros. A persistência de alguns membros do governo em não reconhecer a gravidade da situação e culpar o Banco Central pelos juros elevados, em vez de admitir a crise fiscal, agrava o quadro.
O crescente endividamento público lança dúvidas sobre a eficácia do arcabouço fiscal, a regra aprovada após a PEC da Transição que permitiu a expansão de gastos no início de 2023. Embora o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenha sinalizado a intenção de reforçar o arcabouço para diminuir o teto de crescimento anual das despesas em caso de vitória de Lula, essa iniciativa já enfrenta críticas internas. O compromisso assumido pelo então secretário do Tesouro, Rogério Ceron, em 2023, de evitar que o endividamento superasse 80% do PIB, não foi cumprido. A resolução deste impasse econômico é fundamental e deve ser um tema central nas propostas dos candidatos à presidência, incluindo Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outros.
