Divulgação Em uma das regiões mais vulneráveis do Brasil, onde por décadas faltaram oportunidades, estrutura básica e acesso à educação de qualidade, uma transformação silenciosa no sertão nordestino vem chamando a atenção. As escolas administradas pelo Amigos do Bem saíram de alguns dos piores indicadores educacionais para alcançar resultados que hoje estão entre os melhores do país.

O IDEB da escola Amigos do Bem, em Inajá, no sertão de Pernambuco, chegou a 9,8. As quatro escolas apoiadas pela organização tiveram desempenho de destaque na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica no país, reforçando a consistência de um modelo que integra educação, acompanhamento familiar e desenvolvimento social e local.

Os dados revelam uma mudança profunda e sustentada ao longo de mais de 10 anos de trabalho. Quando o Amigos do Bem assumiu a gestão da unidade, o cenário refletia a realidade da região: baixo desempenho, evasão e poucas perspectivas para as crianças. Hoje, o contraste é evidente. Enquanto outras escolas do município registram IDEB de 4,1 nas áreas rurais e 4,8 nas urbanas, a escola administrada pela instituição atingiu 9,8, a maior nota entre as escolas pernambucanas, resultado que supera, com ampla margem, as médias estadual e nacional.

A educação faz parte de uma atuação ampla do Amigos do Bem que há 33 anos transforma vidas com projetos de segurança alimentar, educação, geração de renda e acesso à água, moradia e saúde. Atualmente, mais de 150 mil pessoas de 300 povoados extremamente vulneráveis de Alagoas, Pernambuco e Ceará são atendidas todos os meses. Mais de 10 mil crianças recebem ensino regular nas escolas apoiadas e participam de atividades profissionalizantes nos quatro Centros de Transformação. Hoje, cerca de 90% dos educadores que atuam no projeto foram alunos formados pela própria instituição.

“Mais emocionante do que qualquer indicador é ver uma geração que cresceu conosco voltar para ensinar, cuidar e inspirar as crianças que estão chegando. São jovens que encontraram oportunidades, acreditaram em seus sonhos e hoje ajudam outras crianças a acreditar também. Já uma geração transformada, os multiplicadores do bem”, afirma Alcione Albanesi, fundadora e presidente do Amigos do Bem.

Ao longo dessa trajetória, os avanços vão muito além da nota. A escola alcançou fluxo escolar de 100%, frequência superior a 90%, evasão praticamente inexistente e taxa de alfabetização de 98,75%. São indicadores raros mesmo em contextos mais favorecidos.

Por trás da nota existe uma história ainda mais significativa. Muitas crianças e jovens atendidos vivem em casas de barro, em povoados rurais do sertão e são filhos de pais analfabetos que enfrentam desafios históricos relacionados à pobreza e à escassez de oportunidades.

O trabalho do Amigos do Bem ultrapassa os limites da sala de aula. Os alunos estudam em período integral, recebem quatro refeições por dia, têm acompanhamento individualizado e contam com transporte para garantir o acesso à educação para quem mora em povoados isolados. Ao mesmo tempo, há uma atuação constante junto às famílias e uma busca ativa para evitar evasão e trabalho infantil.

“Educação de qualidade não depende de onde a criança vive, mas das oportunidades que ela recebe todos os dias. Quando uma criança tem alimentação nutritiva, acesso à água, uma família acompanhada e uma escola preparada para recebê-la, ela é capaz de desenvolver todo o seu potencial”, destaca Alcione.

“Não é uma ação isolada. É um trabalho contínuo, que olha para o aluno de forma completa. Educação de qualidade exige consistência, acompanhamento e um ambiente que permita que a criança se desenvolva integralmente”, explica Alceu Caldeira, responsável pela área educacional da instituição.