O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira a intenção do governo de emitir títulos soberanos brasileiros em yuan (“panda bonds”), formalizada esta semana por ele esta semana em Pequim, e disse que ela representa “o próximo passo na relação entre o Brasil e China”. A ideia, como ele já havia afirmado, é diversificar a dívida brasileira, sem ter os movimentos tolhidos pela competição geopolítica.

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— O que é realmente importante para mim é que nós não estamos presos, do ponto de vista do Brasil e do presidente Lula, na polarização entre os Estados Unidos e a China. Nós temos nossa própria estratégia para lidar com o mundo. E nós nos vemos como um país que precisa liderar a nova era de desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do mundo — afirmou o ministro, em conversa com jornalistas em Pequim.

Sobre a capacidade do Brasil de se equilibrar entre o interesse de diversificar parcerias e não sofrer retaliações dos EUA por esse aprofundamento com a China, Durigan disse que a blindagem passa por resistir às pressões.

— É assim que a gente se equilibra. Não batendo continência para a bandeira americana. A gente foi para os Estados Unidos, o presidente Lula foi lá na Casa Branca e disse para o presidente Trump algumas coisas. Primeiro: quero aumentar o comércio com os Estados Unidos. Vamos ultrapassar essa discussão sobre tarifa punitiva ao Brasil para que a gente amplie o comércio com os Estados Unidos.

Instabilidade provocada por Trump, gerou busca de parcerias estáveis o que beneficia o Brasil na relação com UE, explica Jaguaribe Na China, Durigan diz que se caminha para a emissão de título da dívida brasileira mais barata da história Durigan reiterou que o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump é “injusto” e não faz sentido, uma vez que o Brasil tem déficit comercial com os EUA, ao contrário de países como a China. Portanto, disse ele, o governo é movido pela ideia de que os riscos de retaliação não devem limitar suas políticas e estratégias.

— A gente, evidentemente, faz a avaliação de risco, mas não me parece que isso deva limitar a atuação do Brasil. Então, há uma avaliação de risco, há atuação diplomática, atuação política, mas isso não nos limita. É isso que é o mais importante. Toda a discussão tarifária dos Estados Unidos em relação ao Brasil é injusta.

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Em mais um passo no sentido de ampliar a cooperação com a China, Durigan anunciou que o Brasil passará a ter uma representação da Receita Federal em Pequim. A escolhida para o cargo foi Andrea Costa Chaves, subsecretária de Fiscalização da Receita Federal. Ela será a primeira adida para assuntos tributários e aduaneiros do Brasil na Ásia. Atualmente esse posto está aberto nos EUA e nos países do Mercosul.

Segundo Durigan, a nova adidância em Pequim se justifica pelo volume de negócios entre Brasil e a China, e tem como principal objetivo facilitar o comércio bilateral, deixando mais claras para os dois lados questões tributárias e aduaneiras. Também está no radar a maior cooperação com as autoridades chinesas para identificar ações do crime organizado, disse o ministro.

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O Brasil tem “uma agenda de sucesso” na parceria com a aduana dos EUA para identificar remessas ilegais de armas e drogas sintéticas”, afirmou, e com a China há também a possibilidade de trabalhar nesse sentido. O aumento do comércio bilateral também traz riscos, e identificá-los será uma das funções da nova adida baseada em Pequim.

— A quantidade de contêiner, a quantidade de navios [da China] é muito grande. Eu não tenho essa informação precisa, de qual é o risco identificado, mas certamente é preciso cuidar para que dentro dessa movimentação internacional o Brasil não sirva como porta de saída ou porta de entrada para drogas, armas, que é o que mais me preocupa— afirmou, acrescentando.

— Nós vamos olhar para isso com mais atenção. Com a Andrea aqui, nós vamos ter uma frente de trabalho bem forte contra o crime organizado também.