Segundo a especialista, o controle da violência e da letalidade passa por decisões políticas e medidas preventivas dentro das corporações. Como exemplo, Carolina Ricardo destaca a experiência de São Paulo entre 2020 e 2022, período em que o estado reduziu a letalidade e a vitimização policial de forma contínua com a implementação de pistolas de choque.
Um dos exemplos que Carolina traz é a intervenção policial em casos em que a mulher está sendo ameaçada pelo parceiro. “Se ele (policial) só tem arma de fogo, ele vai usar a arma de fogo e vai acabar matando aquela pessoa. Se ele tem uma pistola de choque, ele usa essa pistola, ele protege aquela mulher e não precisa matar”, diz Carolina.
É preciso mudar regras de execução penal no Brasil, diz especialista à CNNSalvador terá programa com inteligência artificial para combate à violênciaSou da Paz: Rondônia resolve 70% dos homicídios mesmo com alta violência Paradoxo da segurança Além disso, outro desafio da segurança pública no Brasil, levantado durante a entrevista, é o paradoxo entre os dados oficiais e o sentimento da população. Embora alguns indicadores de homicídios e crimes patrimoniais registrem queda no país, 94% dos brasileiros ainda consideram sua cidade violenta.
Para Carolina Ricardo, a sensação de insegurança é alimentada pela alta incidência de roubos de celulares e crimes digitais, aliada à alta exposição diária a notícias de violência nas redes sociais.
“É um crime que tem sido mais violento, rouba um bem que é muito valioso para as pessoas, né? Hoje a vida nossa tá dentro do celular. Junto com o crime de roubo de celular vem toda uma estrutura de golpes digitais (...) E a gente não consegue responder a esse crime”, explica.
Os dados do Instituto também mostram o que é necessário avaliar nos planos de governo dos candidatos. Veja:
Ainda em entrevista, Carolina Ricardo alerta para a necessidade de o eleitor avaliar os planos de governo em anos eleitorais, desconfiando de propostas baseadas apenas em endurecimento de leis. Segundo a especialista, o aumento de penas é ineficaz.
"Desconfie de quem promete e possivelmente joga ou pro Legislativo ou pro Judiciário a responsabilidade, porque o Brasil vem mudando lei há muitos anos, a gente vem endurecendo as penas... E eu acho que a gente tem que cumprir as penas, a gente tem que prender os criminosos, tem que aplicar a pena. Mas quando a gente coloca isso como a principal medida, a gente deixa de olhar tudo que precisa ser feito", reforça.
Para a diretora do Instituto Sou da Paz, o verdadeiro foco das políticas públicas deve ser o fortalecimento da investigação na Polícia Civil.


