“Aqui em Balneário Camboriú, nós tratamos a pessoa em situação de rua com uma responsabilidade muito grande. Seguimos protocolos, não fazemos nada de forma aleatória, seguimos a lei e somos seguros do tipo de abordagem que nós estamos fazendo”, afirmou. Juliana foi acusada de promover políticas “higienistas” na cidade ao estabelecer os planos de ação relativos aos moradores de rua.
Em alguns dos vídeos publicados pela prefeita no Instagram, ela fala de modo incisivo com alguns dos vulneráveis abordados. “Para muitos, pode até parecer que estou falando de forma firme para expulsar. Ninguém aqui em Balneário Camboriú expulsa ninguém. Nós não maltratamos ninguém”, comentou. “Quando falo que não queremos ninguém na rua em Balneário Camboriú, não é porque estamos fazendo trabalho de higienização. Não é isso. É porque eu não acho certo a pessoa morar na rua. Você não encontra dignidade na rua.”
A necessidade de abordagens firmes, explica, é de acordo com a situação. Juliana relatou experiências pessoais em abordagens sociais, nas quais encontrou desde “pessoas que estavam com armas brancas”, quando foi preciso acionar as forças de segurança, até jovens sem passagem pela polícia que precisavam apenas de “um acompanhamento, de um direcionamento, para que pudessem buscar um tratamento e uma palavra realmente de motivação”.
A prefeita emocionou-se ao lembrar de casos específicos. “Teve um, especificamente, em que eu cheguei a me emocionar. Ele era um rapaz muito novo e estava na rua em função da questão do irmão e do padrasto dele.” Juliana também citou abordagens a mulheres grávidas, casais com duas ou três crianças. “Vieram para Balneário Camboriú atrás da oportunidade, mas não tinham lugar para trabalhar, não tinham lugar para morar.”
Segundo Juliana, a gestão atual trabalha “o começo, o meio e o fim” do atendimento. Ela destacou a conquista, em sua gestão, da autorização para internações involuntárias — duas já realizadas — depois de parceria com o Ministério Público e a anulação de um processo da gestão anterior que impedia a medida. “Nós conseguimos esse aval, essa parceria com o Ministério Público na nossa gestão”, enfatizou, lembrando que assumiu a prefeitura neste ano.
Entre as ações citadas estão o pagamento de passagens para retorno à cidade de origem, quando há endereço comprovado, e o encaminhamento para emprego ou tratamento. “Você quer voltar para a sua casa? Você tem endereço em Porto Alegre, em São Paulo, sei lá?”, exemplificou. “Nós pagamos a passagem e encaminhamos para que ele retorne para casa.”
A prefeita recriminou gestores de outras cidades que, segundo ela, orientam moradores de rua a se deslocarem para o município. “Não adianta outros prefeitos mandarem pra Balneário Camboriú, porque aqui tem casa de passagem, tem acolhimento, tem a internação”, afirma. “Se eu encontro pessoas na rua que dizem o prefeito de tal lugar mandou vir para cá, o negócio é diferente. Eu entro em contato, porque, se ele não consegue manter a ordem na cidade dele, não vem aqui complicar a minha.”
Por fim, Juliana Pavan defendeu o equilíbrio entre firmeza e sensibilidade. “Eu falo da forma sensível porque eu tenho um olhar como mãe, como mulher, como cidadã, como gestora pública. E eu confesso pra vocês que eu me emocionei em inúmeros casos das abordagens que eu participei.” Para ela, “cada caso é um caso” e é preciso “separar o joio do trigo”, a fim de manter a ordem pública sem abrir mão do acolhimento responsável.
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Tem muito progressista achando que é uma especie de direito viver nas ruas se drogando o dia todo.
