O Brasil registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,7 trilhões no ano de 2025, posicionando-se como a sexta economia com maior crescimento entre os países do G20 que já consolidaram e divulgaram seus dados. A performance nacional foi amplamente impulsionada pelo setor da agropecuária, que se destacou como o principal motor do desenvolvimento econômico. Essa informação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, coloca o Brasil à frente de grandes potências como os Estados Unidos no ranking de expansão econômica para o período.
Apesar de ser o quinto ano consecutivo de expansão para a economia brasileira, o resultado de 2025 aponta uma clara desaceleração em relação ao ano anterior, quando o crescimento foi de 3,4%. Técnicos do Ministério da Fazenda atribuem essa perda de fôlego à política monetária contracionista, caracterizada por juros em patamares elevados. Essa estratégia, segundo análises econômicas, teve um impacto significativo na atividade, contribuindo para o que os economistas chamam de “fechamento do hiato do produto”, um indicador da capacidade produtiva sem pressão inflacionária. A redução desse hiato sugere que a alta taxa de juros desestimulou o consumo a ponto de mitigar a elevação dos preços.
A política monetária, com a taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado, foi a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para tentar conter a inflação, que permaneceu a maior parte de 2025 acima da meta estabelecida pelo governo. Desde setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou uma trajetória de alta para a Selic, que alcançou 15% ao ano em junho de 2025 – o maior nível desde julho de 2006. A elevação da Selic, que influencia todas as demais taxas de juros do país, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo, com o objetivo de reduzir a procura por produtos e serviços e, consequentemente, esfriar a inflação. O impacto esperado de uma economia em marcha lenta, no entanto, é a diminuição na geração de empregos.
O boletim da SPE indicou que a perda de dinamismo econômico tornou-se mais evidente no segundo semestre de 2025, período em que a atividade econômica manteve-se praticamente estável em relação ao primeiro. Contraditoriamente, e apesar do cenário restritivo, o ano de 2025 encerrou com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE, o que demonstra uma resiliência do mercado de trabalho em meio às pressões econômicas.
Para o ano de 2026, as projeções apontam para um cenário de recuperação gradual. O Copom já sinalizou a intenção de cortar a Selic em sua próxima reunião, agendada para março. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que conflitos geopolíticos, como os do Oriente Médio, não deverão impactar essa decisão de redução dos juros. A SPE estima que o PIB deve crescer 2,3% em 2026, impulsionado por uma provável redução de juros que dará fôlego à indústria e à construção civil. Além disso, a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, em vigor desde o início do ano, e a expansão do crédito consignado para trabalhadores privados são vistos como incentivos adicionais para o crescimento dos serviços e da economia como um todo.
