Safra de soja ajudou desempenho positivo do IBCRRS, chamado de prévia do PIB.Jean Pimentel / Agencia RBSA economia gaúcha fechou o primeiro semestre com crescimento de 3,6%. Calculado pelo Banco Central, o Índice de Atividade Econômica Regional do Rio Grande do Sul (IBCRRS) é considerado uma prévia do PIB. Ficou bem acima da média nacional, de 1,5%.

O resultado foi sustentado pelo primeiro trimestre, já que o segundo teve recuo. O mês de junho avançou 0,6% sobre maio, amenizando as três quedas anteriores.

A safra de soja ajudou bastante, junto da recuperação do indicador da indústria. A produção foi puxada pela fabricação de combustíveis pela Petrobras na refinaria de Canoas e pela aceleração na General Motors (GM), de Gravataí, que lançou um novo carro.

Fonte: CDL POA, com dados do Banco Central

A produção industrial subiu 3,6% no primeiro semestre no Rio Grande do Sul. A fabricação de veículos automotores tem avançado bastante, seguida por derivados de petróleo e alimentos. Máquinas e equipamentos vão mal.

O varejo desacelerou vendas, mas ainda cresceu 1,2% no acumulado de janeiro a junho. Vestuário despencou mais de 10%, mas setores de peso, como farmácias e supermercados, ficam no positivo. No varejo ampliado, veículos e materiais de construção também caem bastante. Livros, jornais e artigos de uso domésticos trazem avanços acima de 10%

O setor de serviços fechou o semestre com queda de 0,5%. O turismo voltou a cair, mas ainda fechou o período com leve alta de 0,1%.

Quem disponibiliza alguns cruzamentos dos dados do Banco Central à coluna é o economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Oscar Frank. Na sua avaliação, apesar de alguns números positivos do curto prazo, a situação do Estado é "alarmante". Isso porque o economista faz a comparação com 2013.

— Neste confronto, o avanço é de apenas 3%, o que representa 0,2% de média ao ano. A irrigação deficitária nas lavouras, os investimentos públicos insuficientes, o envelhecimento da população e a posição geográfica distante dos centros consumidores são algumas das causas — explica.

Frank vê um panorama complexo. A taxa de juro segue alta, com aumento da inadimplência e pedidos de recuperação judicial. Mesmo com o arrefecimento de preços, o Banco Central deve fazer cortes tímidos na taxa Selic.

— O crédito continuará caro, fruto das incertezas internacionais e do desarranjo fiscal do Brasil — avisa Frank.

Mercado de trabalho perdendo tração e efeitos do El Niño também são desafios a se observar.

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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)

Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)