A Coreia do Norte, país que por décadas enfrentou uma grave crise de subsistência, com quase metade de sua população sofrendo de desnutrição e recorrentes denúncias de violações de direitos humanos, parece estar experimentando uma notável, embora controversa, recuperação econômica. Sob a liderança de Kim Jong-un, o regime, que se consolidou em um dos países mais isolados do mundo, tem sido alvo de críticas internacionais por seu controle estatal, abandono de serviços públicos e priorização de um aparato de segurança repressivo.
A pandemia de COVID-19, em 2020, agravou ainda mais a situação, gerando escassez de alimentos e intensificando a pressão das sanções internacionais. Naquele período, Kim Jong-un chegou a pedir desculpas publicamente à população, admitindo que seus esforços não haviam sido suficientes para mitigar as dificuldades. No entanto, o cenário começou a mudar nos anos seguintes, com o fim da pandemia, a diminuição da pressão das sanções e o estreitamento de alianças estratégicas, notavelmente com a Rússia.
Em um discurso recente, Kim Jong-un declarou que a Coreia do Norte viveu "uma transformação milagrosa" e que o país "já não é vulnerável às ameaças de outros". Dados preliminares, como estimativas do Banco Central da Coreia do Sul, apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,7% em 2024, a maior expansão em oito anos. Especialistas sugerem que a economia norte-coreana pode estar em seu melhor momento desde que Kim assumiu o poder, impulsionada por exportações de armas para a Rússia, comércio com a China e um controle mais eficaz sobre mercados informais.
Apesar dos indicadores positivos, que se manifestam em maior iluminação pública em Pyongyang, proliferação de tecnologia e conclusão de projetos de infraestrutura, analistas alertam que as duras condições de vida persistem para a maioria da população, longe da elite dirigente e da capital. A consolidação do país como potência nuclear, com o desenvolvimento de novas gerações de mísseis, também permanece como um pilar central da estratégia de segurança de Kim Jong-un, garantindo a sobrevivência do regime diante de percepções de ameaças externas.
