O programa Brasil Soberano 3, a resposta do governo federal ao "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos, tem recebido críticas de economistas que avaliam que a iniciativa pode não ser a mais adequada. A principal objeção é que o plano se configura mais como uma medida de estímulo à economia do que um auxílio efetivo aos setores produtivos brasileiros impactados pela nova política tarifária americana.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, expressou ceticismo quanto à capacidade do Brasil Soberano 3 de ajudar as empresas afetadas pela perda de competitividade de suas exportações. Ele comparou a estratégia a planos de subsídios implementados no passado, especialmente após a crise financeira de 2008, que, segundo ele, não surtiram o efeito desejado e podem ter contribuído para a crise econômica de 2015-2016. Para Vale, a solução mais eficaz seria a abertura de novos mercados internacionais para as empresas brasileiras.
Lívio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador associado do FGV Ibre, destacou que o programa tem se afastado de seu propósito inicial de socorrer diretamente as empresas prejudicadas pelo "tarifaço". Ele observou que as sucessivas edições do Brasil Soberano têm ampliado seu alcance, incluindo fornecedores e outros elos da cadeia produtiva, o que confere ao programa um caráter mais de política industrial do que de medida emergencial. Ribeiro também alertou para o aumento dos subsídios e a flexibilização dos critérios de acesso, gerando custos fiscais e pressionando a dívida pública.
Matheus Ribeiro, também da BRCG, apontou que a preferência do governo por medidas via despesas financeiras, que não impactam diretamente o resultado primário, mas que podem levar a um aumento da dívida pública, é uma característica recorrente. Ele mencionou que a área técnica do governo tem a avaliação de que tais medidas de impulso creditício afetam pouco a inflação, mas podem trazer benefícios para o PIB e o emprego. Contudo, o mercado enxerga um potencial de impacto na condução da política monetária que o governo parece subestimar. A consultoria calcula que as despesas financeiras orçadas pelo governo têm aumentado significativamente.
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