Os resíduos que descartamos diariamente, provenientes de residências, comércios e indústrias, podem ter um destino mais nobre do que os aterros sanitários. A economia circular propõe que parte desses materiais retorne à cadeia produtiva, substituindo matérias-primas virgens e, consequentemente, auxiliando na redução das emissões de gases de efeito estufa. Para que essa transição se concretize, são necessários investimentos em infraestrutura, tecnologia, planejamento estratégico e, fundamentalmente, uma mudança cultural na forma como a sociedade percebe e lida com o que é descartado.

Nesse cenário, os ecoparques geridos pela Veolia em Brusque e Blumenau, ambos no estado de Santa Catarina, emergem como exemplos práticos dessa transformação. Essas unidades integram um sistema abrangente de gestão de resíduos, que engloba desde a coleta e o tratamento até a recuperação de materiais e a valorização energética. O trabalho desenvolvido pela Veolia ilustra como os princípios da economia circular podem ser efetivamente aplicados no cotidiano das cidades, saindo do campo teórico para a operação concreta.

A Veolia, reconhecida como líder global em serviços ambientais, atua nas áreas de água, resíduos e energia. Sua presença em Santa Catarina abrange serviços essenciais como a coleta domiciliar e seletiva em diversos municípios, além da implementação de tecnologias avançadas para o tratamento e a destinação final adequada dos resíduos. A relevância dessas operações se manifesta ao analisar o ciclo de vida dos materiais após seu descarte, destacando o potencial de mitigação de impactos ambientais quando esses resíduos encontram novas utilidades.

Um marco recente em Brusque foi a instalação, em abril de 2026, de uma Unidade de Triagem Mecanizada (UTM) no EcoParque Brusque. Fruto de uma parceria com a Ciclare, eureciclo e Just Climate, com apoio financeiro do BID Invest, a nova estrutura visa aprimorar a recuperação de materiais recicláveis que, no Brasil, frequentemente se misturam aos resíduos urbanos e acabam perdidos em aterros. Com capacidade para processar até 220 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos anualmente, a UTM tem o potencial de recuperar cerca de 15 mil toneladas de plásticos e metais por ano, com uma projeção de evitar aproximadamente 33 mil toneladas de emissões de CO₂ equivalente anualmente. A tecnologia empregada, com sistemas automatizados e separadores ópticos, otimiza a classificação e reinserção de recicláveis na indústria, diminuindo a dependência de novas extrações e reduzindo o consumo de energia e as emissões associadas.