O governo do Rio Grande do Sul apresentou um panorama detalhado sobre a evolução das matrículas na educação básica do estado no período de 2015 a 2024. A análise, divulgada pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), revela um cenário de mudanças significativas, com destaque para a redução no número total de matrículas em algumas etapas e modalidades, ao mesmo tempo em que outras apresentaram crescimento.

Em 2024, o estado registrou 2.227.000 matrículas na educação básica, representando uma queda de 2% em comparação com o ano anterior. Olhando para a série histórica de 2015 a 2024, a retração foi mais acentuada no ensino médio, com uma diminuição de 14%, e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), que teve uma baixa de 48,5%. Em contraste, as creches experimentaram um aumento substancial de 27,4% no mesmo período, enquanto os anos iniciais do ensino fundamental permaneceram relativamente estáveis, com pequenas oscilações.

A pesquisa, elaborada pelo pesquisador Ricardo Oliveira, utiliza dados do Censo Escolar e aprofunda a análise em diversos aspectos, incluindo a distribuição por sexo, raça/cor, idade e a expansão das matrículas em tempo integral. Na educação infantil, especificamente, as matrículas caíram 0,5% em 2024 em relação a 2023, mas acumularam um crescimento de 23,1% desde 2015. As creches consolidaram um aumento de 27,4% na década, enquanto a pré-escola, apesar de uma queda de 1,3% em 2024, ainda apresenta um incremento acumulado de 19,6% desde 2015.

O ensino fundamental como um todo registrou uma retração de 0,5% em 2024 e 6,6% entre 2015 e 2024. Nos anos iniciais, houve uma leve alta de 0,4% em 2024, mas a série histórica aponta uma queda de 4,5%. Nos anos finais, a diminuição foi de 1,7% no último ano e de 9,2% na década. Um ponto positivo foi o crescimento das matrículas em tempo integral, com aumentos de 8,1% nos anos iniciais e 11,9% nos anos finais em 2024. No ensino médio, a queda foi de 5,2% em 2024 e 14% na década, embora o ensino em tempo integral tenha crescido 16,9% no ano passado, representando 8,5% do total da etapa. A educação profissional e tecnológica (EPT) também apresentou queda em 2024 (-4,1%), mas um aumento de 15,1% no período de dez anos, com predominância feminina e de alunos adultos. A EJA, por sua vez, segue em declínio acentuado, com transformação no perfil do aluno, que se torna cada vez mais adulto.