"A gente tem uma oferta de cursos, uma oferta de opções ainda muito estruturada em ocupações da velha economia, do velho mercado de trabalho", afirmou o professor ao WW Especial.

De acordo com Portela, esse descompasso aparece de forma nítida quando se compara a formação das pessoas com as funções que elas de fato exercem - seja no ensino técnico profissionalizante, seja no ensino superior.

Redes sociais distorceram visão sobre ascensão social, diz professoraQuadro fiscal no Brasil é delicado, mas sem risco de insolvência, diz SaltoClasse C quer ser dona do próprio tempo, diz Renato Meirelles "Há um descasamento muito grande entre a formação e a ocupação", disse, ao apontar que o fenômeno já é observado há alguns anos.

Esse desalinhamento, segundo ele, é reflexo de um sistema educacional que ainda não acompanhou as novas exigências de habilidades e competências do mercado. "Isso, em parte, explica essa frustração dessas pessoas com o sistema educacional", avaliou.

O professor da FGV também comentou a redução da diferença salarial entre quem tem e quem não tem diploma universitário.

Para ele, o movimento é positivo em sua origem — resultado do aumento no número de pessoas com ensino superior —, mas trata-se, majoritariamente, de uma formação ainda pensada para o mercado de trabalho antigo.

"É um ensino superior do velho mercado de trabalho, preparando para o velho mercado de trabalho. E muitos ainda não preparam para esse novo mercado de trabalho", afirmou.

Segundo Portela, o próprio desenho desse "novo currículo" ainda é incerto — e não é um problema exclusivamente brasileiro. "A gente nem sabe direito o que seria esse currículo todo, ainda o mundo inteiro está tateando", disse.

O especialista aponta que é justamente essa lacuna entre formação e demanda do mercado que ajuda a explicar tanto a frustração dos brasileiros com a educação quanto a busca por novos caminhos profissionais.

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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