Autora do livro Pedagogia da relação, lançado neste mês, Fátima Freire considera o vínculo entre professor e aluno o alicerce da educação. A terceira publicação da educadora fecha uma trilogia sobre a experiência de mais de 50 anos no ensino. Freire é categórica: "Para eu construir um vínculo inteiro com o meu aluno, eu tenho realmente que ter coragem de estar com ele. E nós estamos com uma extrema dificuldade de simplesmente estar", comenta. "Estou convencida de que a escola, de forma acelerada, está deixando de ser o espaço crucial de humanização para todos nós", afirma a educadora.

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O estudo do Datafolha, divulgado na semana passada, reforça a necessidade de se fortalecer a relação pessoal e direta entre quem ensina e quem aprende. A pesquisa ouviu jovens de 12 a 21 anos nas cinco regiões do país e concluiu que os estudantes estabelecem uma relação direta entre a qualidade da escola e a capacidade do professor de explicar bem o conteúdo em sala de aula. Entre os entrevistados que consideram que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima. Já entre aqueles que afirmam que os professores não explicam bem, esse percentual cai para 48%.

Para Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas da organização não governamental Todos Pela Educação, a conclusão é inequívoca: "Os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que é uma boa escola. É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem."

A demanda por avanços na aprendizagem vem em um momento crucial para a educação brasileira. Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgados em agosto, reforçam a urgência de se dar prioridade para aprendizagem, considerando o desempenho dos estudantes em disciplinas fundamentais como português e matemática.

Esse desafio não é apenas no Brasil. Melhorias na educação não são uma exigência apenas no Brasil — vide o impressionante movimento estudantil na França. As queixas dos alunos europeus coincidem com o que se vê com frequência no Brasil: escolas sucateadas, ausência de professores, aulas irregulares e falta de funcionários. Iniciada em Paris, a revolta estudantil ganhou escala nacional e já superou os protestos históricos de 1968.

Está claro, pois, tanto no Brasil quanto em outros países, que a educação precisa ser tratada com responsabilidade, boa gestão e valorização dos professores. A uma semana do segundo turno, convém verificar o que os candidatos à presidência e a governos estaduais têm a propor sobre esse tema crucial para o desenvolvimento da sociedade.