Um importante debate sobre os rumos da educação pública no Brasil e os desafios para o futuro do país foi promovido no último sábado (1º), em Porto Alegre. O seminário "Brasil 2030: A Educação que Precisamos para o País que Queremos", organizado em parceria pelo CPERS e pela ADUFRGS-Sindical, reuniu pesquisadores, educadores, estudantes, dirigentes sindicais e representantes de movimentos sociais.
O encontro teve como objetivo construir um debate crítico sobre o cenário atual da educação brasileira, marcado pela expansão de políticas de privatização e pelo que os organizadores descrevem como "desmonte do Estado". Representantes do CPERS, como os diretores Elbe Belardinelli e Guilherme Bourscheid, reforçaram a posição histórica do sindicato: a educação não deve ser tratada como mercadoria nem se submeter aos interesses do mercado financeiro e de grandes corporações. Para defender a escola pública, defende-se a necessidade de financiamento adequado, valorização profissional, autonomia pedagógica e participação social.
O seminário abordou a crescente influência do mercado sobre as redes públicas de ensino, o subfinanciamento de políticas educacionais e a expansão de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Especialistas renomados, como Juliane Furno, Miguel Stédile, Daniel Cara, Vera Maria Vidal Peroni e Eliezer Pacheco, apresentaram análises sobre os impactos das políticas neoliberais e propuseram caminhos para a construção de um projeto nacional de educação. Ficou evidente entre os participantes que discutir o futuro da educação é intrinsecamente discutir o próprio futuro do Brasil.
Durante os painéis, a economista Juliane Furno alertou para o risco de esvaziamento das universidades públicas, mesmo em um momento de maior acesso para camadas populares, destacando a importância da disputa por orçamento e da valorização dos trabalhadores da educação. Miguel Stédile criticou a atuação do sistema financeiro e os modelos de gestão escolar privatizada, argumentando que a gestão administrativa não pode ser separada do projeto pedagógico e que o capital atua de forma parasitária. Daniel Cara denunciou a "plataformização" do ensino e o papel de organismos internacionais e empresas privadas na promoção de estratégias de privatização, enquanto Vera Maria Vidal Peroni alertou para o controle crescente sobre o trabalho docente e a ameaça à autonomia pedagógica impostos por esses modelos. O encerramento contou com a defesa de um papel mais ativo dos sindicatos na formulação de projetos nacionais e na consolidação da gestão democrática e da autonomia universitária.
