O Ministério da Saúde acionou estados e municípios com um alerta para o reforço nas medidas de prevenção e controle de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. A preocupação se intensifica com a previsão de um episódio de El Niño de intensidade moderada a forte para o segundo semestre deste ano, um fenômeno que historicamente favorece a disseminação dessas doenças.
As projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que o El Niño pode acarretar um aumento nas temperaturas médias e alterações nos padrões de chuva em diversas regiões do Brasil. Essas condições climáticas são ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor transmissor dessas enfermidades, especialmente em áreas onde o acúmulo de água parada se torna mais frequente, servindo como criadouro.
Em resposta à iminente ameaça, o ministério divulgou uma nota técnica com orientações detalhadas aos gestores estaduais e municipais. As recomendações incluem a intensificação da vigilância epidemiológica para detecção precoce de surtos, a implementação ágil de bloqueios de transmissão assim que os primeiros casos forem confirmados, a reorganização estratégica das equipes de combate a endemias e a ampliação do uso de tecnologias de controle vetorial recomendadas pela pasta.
Embora o alerta seja voltado para os próximos meses, dados recentes indicam uma desaceleração na circulação das arboviroses. Até 20 de junho de 2026, o país registrou aproximadamente 392,8 mil casos prováveis de dengue, uma redução expressiva de 73% em relação ao mesmo período de 2025. Os casos prováveis de chikungunya também apresentaram queda, com recuo de 46% na comparação anual. No Mato Grosso do Sul, especificamente, foram confirmados 1.498 casos de dengue entre janeiro e julho deste ano. Projeções da Fiocruz, contudo, apontam para um cenário futuro de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027, ressaltando a importância da vigilância contínua.
