A pouco menos de dois meses para o início formal da corrida eleitoral em 2026, os grupos políticos liderados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) ainda enfrentam desafios consideráveis na formação de seus palanques nos oito maiores colégios eleitorais do país. Estes estados – São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará – reúnem mais de 100 milhões de eleitores, representando aproximadamente 70% do eleitorado nacional, o que torna a consolidação dessas bases um fator determinante para as eleições presidenciais.

No campo do governo federal, a prioridade é resolver os impasses em São Paulo e Minas Gerais, os dois estados com o maior número de eleitores. Além disso, a campanha de Lula busca viabilizar um "palanque duplo" em Pernambuco, um estado historicamente importante para o PT. A estratégia visa garantir apoio robusto nas regiões mais populosas e estratégicas do território brasileiro, onde a disputa política se mostra acirrada.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro, representando a oposição, enfrenta dificuldades em fechar alianças em estados onde o presidente Lula detém forte influência eleitoral. Bahia, Pernambuco e Ceará são exemplos de redutos onde o petista obteve expressivas votações em 2022. A tarefa de Flávio Bolsonaro é construir pontes políticas e transferir o apoio de Jair Bolsonaro para essas regiões, o que se mostra um desafio complexo diante da polarização política.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral com 31,2 milhões de eleitores, a disputa pelo governo em 2026 já aponta para um possível confronto entre Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador, e Fernando Haddad (PT). A campanha de Lula em São Paulo trabalha para definir a chapa ao Senado, com nomes como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) sendo consideradas, mas ainda há um impasse em relação à candidatura de Márcio França (PSB) e a definição do vice de Haddad. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, a desistência do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), em concorrer ao governo, gerou um vácuo que as campanhas buscam preencher, com nomes como Josué Gomes da Silva (PSB) e Alexandre Kalil (PDT) sendo cogitados.