Registros obtidos pela investigação mostram o advogado Walfrido Warde dizendo ao banqueiro que estava “infernizando” a vida do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

A conversa, segundo apurou a CNN, aparece em anotações de Vorcaro em um bloco de notas do celular, salvas no dia 17 de novembro horas antes da operação que terminou com a primeira prisão do banqueiro naquele mesmo dia.

Kassab prestigia Caiado em filiação, mas não crava escolha ao PlanaltoEm menos de 24h, Vorcaro vendeu cotas por 116 vezes o preço de compraRelatório mostra piora acelerada da saúde de Bolsonaro antes de internação A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, confirmada pela CNN e consta em relatório encaminhado pela PF ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Àquela altura, Leite era o responsável pelas investigações na primeira instância. Partiu dele a autorização para prender o dono do Banco Master, que acabou liberado 10 dias depois graças a um habeas corpus concedido pela desembargadora Solange Salgado, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).

Walfrido Warde deixou a defesa de Vorcaro menos de um mês depois, ainda antes da segunda prisão do banqueiro.

Nesta sexta-feira (14), mais um advogado deixou o caso. Pierpaolo Bottin deu lugar a José Luis Oliveira Lima. O movimento aumenta a expectativa de que Vorcaro opte por tentar fechar um acordo de delação premiada.

Em nota enviada à CNN, o escritório de Warde afirmou que "recebeu a informação de que havia um inquérito investigando Daniel Vorcaro e o Banco Master na 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília do próprio cliente e de outros escritórios que o representavam”. Destacou ainda que “a tentar encontrar tal inquérito já haviam inferido que estivesse nessa vara do Distrito Federal, porque é especializada em questões relativas ao sistema financeiro."

O texto afirma que os escritórios prepararam a petição que foi enviada a ambos os magistrados dessa vara “em conjunto”.

“Após ingressar com a petição assinada em conjunto por quatro escritórios, Warde Advogados buscou contato com os juízes pleiteando que os defendentes fossem recebidos em audiência a fim de despachar a petição, sempre em observância aos interesses do então cliente, e na forma da lei. Warde Advogados jamais participou de atos de obtenção de dados cobertos por sigilo. Qualquer sugestão nesse sentido é caluniosa e totalmente contrária aos fatos", conclui.

O juiz Ricardo Leite também foi procurado, mas não retornou até a publicação da reportagem.