A mineradora brasileira Serra Verde, especializada na extração de terras raras, foi adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR) em uma transação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 14 bilhões. O anúncio da compra, formalizado recentemente pelas companhias, marca um passo significativo na reconfiguração do mercado global de terras raras, visando estabelecer uma nova dinâmica para o fornecimento desses minerais estratégicos.
A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, Goiás, que se destaca por ser a única mina de argilas iônicas ativas no Brasil, em plena produção desde 2024. Sua importância é ainda maior por ser a única produtora das quatro terras raras pesadas mais críticas e valiosas – Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y) – fora do continente asiático. Este fato é crucial, considerando que mais de 90% da extração mundial de terras raras é atualmente realizada na China, conferindo ao país asiático uma influência considerável sobre o mercado global.
Os materiais extraídos pela Serra Verde são componentes essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, amplamente utilizados em uma vasta gama de tecnologias modernas e estratégicas. Entre suas aplicações estão veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de setores críticos como semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial. A fusão das operações visa, portanto, a criação de uma empresa multinacional líder, capaz de oferecer uma cadeia de suprimentos de terras raras completa e diversificada, da mina ao ímã, abrangendo operações no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido.
O acordo prevê um contrato de fornecimento de 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (SPV), capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos e por fontes de capital privado. Este contrato garante a compra de 100% da produção da Fase I da Serra Verde, com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas, assegurando fluxos de caixa estáveis e previsíveis para a operação brasileira. Este movimento se alinha com as preocupações geopolíticas sobre a dependência excessiva da China em relação a esses minerais, uma questão frequentemente levantada por líderes internacionais, demonstrando o papel estratégico que o Brasil pode desempenhar na construção de cadeias de suprimentos globais mais resilientes e seguras.
