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24.abr.2026 às 17h42 Atualizado: 24.abr.2026 às 17h57 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Ouvir o texto Pedro S. Teixeira São Paulo Kalshi, Polymarket e outras empresas do chamado mercado de previsão, conhecidas por ofertar apostas sobre eleições, jogos, reality shows e celebridades, foram bloqueadas pelo governo federal nesta sexta-feira (24).

Abaixo, entenda em 9 pontos o que é o mercado de previsão e por que os sites foram proibidos no país.

As empresas do mercado de previsão vendem contratos do tipo "sim ou não" sobre eventos reais. É possível palpitar sobre jogos de futebol, a final de um reality show, a data do casamento de uma celebridade e até sobre o resultado de uma eleição. O comprador recebe um valor caso seu palpite se realize ou perde caso erre.

As empresas do mercado de previsão argumentam que os bônus para quem acerta apostas têm base nos valores investidos, como em uma Bolsa de Valores. Os títulos podem ser negociados a qualquer momento.

As companhias do setor podem lucrar com uma taxa sobre a venda do contrato, com o tráfego que recebem na internet e vendendo as informações estatísticas sobre as apostas.

As bets dizem que não há diferença entre o título do mercado de previsão e a aposta comum. As entidades do setor pedem restrições aos mercados de previsão desde o início deste ano.

Em ambos os casos se aposta que algo vai acontecer ou não. A pessoa ganha dinheiro se acertar o palpite. A diferença é contratual e de cobrança.

Nas bets, a cotação de uma aposta pode ser determinada pelas próprias casas ou flutuar com o mercado, como acontece nos mercados de predição. O que muda é a cobrança de uma taxa de serviço da banca, que pode ser explícita ou implícita. O mercado de previsão nem sempre cobra corretagem, já que ganha dinheiro de outras formas.

O setor, que movimentou US$ 51 bilhões em 2025, ganhou destaque por oferecer apostas nas eleições americanas entre Donald Trump e Joe Biden em 2024 e seguiu se expandindo nas áreas de esporte, criptomoedas, famosos e, mais recentemente, eventos relacionados a guerras.

A consultoria americana Bernstein projeta que o avanço global de Kalshi e Polymarket possa alavancar o mercado de previsão a um patamar de US$ 1 trilhão em termos de fluxo de dinheiro em 2030.

A Kalshi, em uma rodada de investimentos realizada em novembro, anunciou expansão para mais de 140 países. Esse número incluía o Brasil.

No total, usuários de 53 países não podem acessar mercados de previsão. Em geral, são nações com regulação de apostas que restringiram ou bloquearam o acesso a mercados de previsão sem licença local.

As maiores empresas do mercado de predição são Kalshi e Polymarket, ambas com avaliações de mercado que superam os US$ 10 bilhões e fundadas por jovens com menos de 30 anos.

A Kalshi foi avaliada em US$ 22 bilhões na sua última rodada de captação de investimentos, realizada em fevereiro, quando recebeu US$ 1 bilhão do fundo Coatue Management. Essa movimentação consolidou a Kalshi como a plataforma dominante no setor, impulsionada por sua adaptação à regulamentação nos Estados Unidos (aprovada pela CFTC, a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities) e pela expansão de seus contratos de eventos, que totalizaram US$ 52 bilhões em volume.

A decisão da Fazenda deve atrapalhar os planos da cofundadora da plataforma, a brasileira Luana Lopes Lara, de expansão para o Brasil e para a América Latina. A valorização da Kalshi após a atuação da empresa vendendo apostas sobre as eleições americanas tornou a brasileira a pessoa mais jovem do mundo a acumular uma fortuna de US$ 1 bilhão, de acordo com a revista Forbes.

A Polymarket foi avaliada em US$ 15 bilhões, após captar US$ 400 milhões neste mês. Isso representa um crescimento significativo em relação à avaliação de US$ 9 bilhões registrada no final de 2025, quando recebeu investimentos da Intercontinental Exchange (ICE), empresa dona da Bolsa de Nova York.

De acordo com o Ministério da Fazenda brasileiro, havia 26 outras empresas menores atuando como mercados de predição no Brasil. Todas foram bloqueadas.

O banco de investimento XP fechou uma parceria com a Kalshi e vende contratos futuros sobre eventos ligados a economia, como alta no desemprego ou queda na inflação. A venda desses títulos somente via plataforma da XP ainda estaria legalizada.

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Os brasileiros podiam enviar dinheiro para as plataformas usando criptoativos e cartões internacionais. A Polymarket tem uma página comercial no Instagram dedicada ao Brasil verificada pela Meta.

Com isso, o público ficava restrito a pessoas com acesso a criptomoedas ou contas globais, como Wise.

O Ministério da Fazenda concluiu que os mercados de previsão operam sob a mesma lógica das bets. Por isso, a Kalshi e a Polymarket deveriam seguir as mesmas regras que os sites de apostas, como o pagamento por outorga de R$ 30 milhões e a restrição a temas como esportes e resultados de jogos virtuais como o Fortune Tiger, o tigrinho. Os sites de aposta regulares não podem, por exemplo, oferecer apostas sobre eleições.

De acordo com o governo brasileiro, Kalshi e Polymarket não pagaram nem respeitaram as regras locais contra vício em jogo.

A legislação brasileira ainda determina que as apostas só podem ser feitas com Pix, para evitar endividamento com cartão de crédito e a lavagem de dinheiro com criptoativos. Mas esses meios de pagamento estão disponíveis nas plataformas de mercado de previsão.

Em relação às apostas em temas políticos, especialistas em direito eleitoral alertam que produzir estatísticas sobre o processo eleitoral deveria ser uma atividade supervisionada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O tribunal já derrubou sites que ofereciam o serviço.

Nos Estados Unidos, onde os mercados de predição começaram a atuar, há relatos de pessoas com relações compulsivas com essas plataformas. Como ocorre com as bets, uma consequência comum do adoecimento é o endividamento.

Especialistas americanos em saúde pública estimam que 2% a 3% dos usuários ativos desenvolvem transtornos de comportamento graves, um índice similar ao de cassinos online.

Segundo o National Council on Problem Gambling (NCPG) em seu censo de 2025, 52% dos apostadores de eventos admitiram tentar recuperar perdas imediatamente com novas apostas, um indicador clássico de comportamento compulsivo.

A decisão do governo nesta sexta define uma segregação clara de competências para fiscalizar o mercado de previsões, de acordo com o advogado Leonardo Henrique Roscoe Bessa, especialista no mercado de apostas e consultor do Conselho Federal da OAB.

A Secrertaria de Prêmios e Apostas, ligada ao Ministério da Fazenda, deve supervisionar as apostas esportivas e cassinos virtuais, enquanto a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) supervisionará os derivativos financeiros, como índices econômicos ou fenômenos climáticos que podem influenciar o agronegócio.

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