Uma fonte próxima ao banqueiro avaliou que a negociação foi contaminada pela política e que este é o principal motivo pelo qual as autoridades deverão rejeitar a segunda proposta de colaboração premiada.
Nesta terça-feira (9), o advogado de Vorcaro, Sergio Leonardo, tenta fazer as últimas alterações na versão apresentada para tentar salvar a proposta, mas a percepção é de que não será suficiente.
PF se reúne com advogado de Vorcaro em meio à indefinição sobre delaçãoIdas e vindas reduzem expectativa sobre delação de VorcaroVorcaro deve entregar novo complemento à proposta de delação A leitura é de que qualquer nova alteração não deverá mudar a tendência de rejeição da proposta por parte da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.
Há no entorno do banqueiro incômodo com o que consideram má vontade dos órgãos sobre o material que foi entregue, entendido como algo mais ampliado e aprofundado em relação à primeira versão e que detalha a relação do banqueiro com personagens dos Três Poderes.
Eles dizem, por exemplo, que Vorcaro sugere na delação caminhos possíveis para que sejam investigadas autoridades.
No entanto, os investigadores têm exigido provas de corrupção que o banqueiro não teria em boa parte dos casos.
Na linguagem jurídica, ele não teria apresentado o chamado “ato de ofício”, a decisão oficial e legal tomada por essas autoridades para justificar os altos valores recebidos nos contratos do banqueiro com eles ou seus familiares.
Isso valeria também para integrantes da oposição. O banqueiro não teria avançado, por exemplo, em detalhes sobre o patrocínio do filme Dark Horse.
A avaliação é que, como a delação de Vorcaro atingiria todos os poderes e matizes políticas, não interessaria neste momento avançar com algo que pudesse gerar amplo prejuízo político e que seria melhor aguardar as investigações avançarem por si só, mantendo Vorcaro preso pelo menos até o processo eleitoral ser concluído.
