Barchini participou do 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação.Guga Scatena/Jeduca / DivulgaçãoAdotadas em diferentes Estados, entre eles o Rio Grande do Sul, ferramentas que permitem que estudantes passem de ano mesmo tendo sido reprovados em uma ou mais disciplinas foram defendidas pelo ministro da Educação nesta quarta-feira (23).

Em participação no 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação (Jeduca), que ocorre em São Paulo, Leonardo Barchini afirmou que evitar a repetência de alunos vai ao encontro de práticas recomendadas por especialistas e modelos adotados em países como Coreia do Sul, Finlândia e Estados Unidos.

— Há 20 anos, 35% dos estudantes eram reprovados na escola pública, enquanto na rede privada a reprovação era de 4% a 5%, índice alinhado às tendências mundiais. Estudos internacionais mostraram que a repetência era uma das facetas mais nocivas da educação brasileira, porque não gerava melhora na aprendizagem e aumentava o abandono. Escola que reprova é escola que não ensina. O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira) foi criado com essa noção de que o fluxo escolar deveria ser importante — destacou.

Criado em 2007, o Ideb estabelece notas de zero a cinco para escolas, redes de ensino, municípios, Estados e para o Brasil. O cálculo considera a nota de estudantes em provas de matemática e língua portuguesa e a taxa de reprovação de cada local.

No entendimento de Barchini, o país tem uma cultura de reprovação que vem sendo combatida e ajudou a compor, nos últimos ciclos do índice, saltos na nota de muitos Estados.

Foi o caso do Rio Grande do Sul, que, no Ideb 2025, registrou o maior aumento na nota do Ensino Médio na comparação com 2023, empatado com o Rio Grande do Norte: passou de 4,2 para 4,9. O bom desempenho nas provas também alavancou a nota da rede estadual gaúcha.

— Quando o estudante reprova em uma disciplina, é obrigação da escola acompanhá-lo no ano seguinte para tentar recuperar aquela aprendizagem. O que temos que verificar no Ideb é se a proficiência está melhorando ou não. No Rio de Janeiro, por exemplo, a taxa de aprovação melhorou, mas a proficiência diminuiu. Em casos como esse, talvez a progressão parcial (nome dado a essa ferramenta de aprovação do estudante) não esteja sendo aplicada adequadamente — sinalizou o ministro.

Barchini falou, ainda, sobre o formato que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá em suas próximas edições. Um dos projetos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) é que a prova passe a contar também com questões abertas, com resposta dissertativa.

— Há uma inclinação dos organizadores do Enem de mudar a forma de cobrar leitura e escrita na prova, podendo haver perguntas abertas, o que é algo que me agradou. Mas sempre que se pensa em uma alteração no Enem, isso precisa ser muito bem pensado, já que é um exame do qual 5 milhões de pessoas participam — observou o ministro.

A edição de 2026 do Enem acontece em novembro, ainda sem previsão de alterações em seu formato.