Cerri e Namura foram enfáticos ao afirmar que a qualidade dos dados utilizados no treinamento dos algoritmos é determinante para o seu desempenho. "Se o dado é ruim, só vai sair algoritmo ruim. Se o dado é bom, o algoritmo vai ser bom", explicou Namura. Segundo ele, muitos algoritmos são validados em populações de outros países, como a China, e quando aplicados em contextos diferentes, podem não apresentar a mesma acurácia e sensibilidade.

Radar CNN: IA já faz parte da rotina de 7 em cada 10 alunos brasileirosPresente nas escolas, IA deve mudar métodos de ensino, dizem especialistasEspecialista: IA radicaliza reflexão sobre quem é o ser humano Por isso, é necessário um processo de adaptação — o que ele chamou de "tropicalização" — para que a tecnologia funcione adequadamente em outras realidades.

Namura citou como exemplo prático o uso de algoritmos para detectar tromboembolismo pulmonar. Ele explicou que, em exames de abdômen realizados para check-up ou acompanhamento oncológico, o radiologista pode estar focado em outras estruturas e acabar não identificando um achado nas bases dos pulmões. Nesse cenário, a IA pode atuar como um alerta importante.

No entanto, o especialista ressaltou que o algoritmo pode "apontar demais", gerando falsos positivos, o que reforça a necessidade de um profissional qualificado para revisar as imagens. "Por isso que não substitui. Por isso que você precisa de um curador para olhar as imagens", afirmou.

Cerri destacou que a inteligência artificial já impacta positivamente a eficiência dos sistemas de saúde. Segundo ele, a tecnologia pode auxiliar na gestão de filas, direcionando os pacientes para os especialistas mais adequados às suas necessidades. Ele afirmou que já existem algoritmos em prática capazes de entrevistar pacientes e identificar seus problemas de saúde.

Para Kalil, que considerou o Sistema Único de Saúde (SUS) como o melhor sistema de saúde do mundo, a discussão sobre como a IA pode otimizar recursos e melhorar a eficiência do sistema é fundamental.

"A transformação tecnológica tem um tempo de desenvolvimento e um tempo de aceleração", ponderou. Cerri ainda destacou que as tecnologias de transformação digital — como telemedicina, inteligência artificial e interoperabilidade — apresentam um custo significativamente mais baixo do que grandes equipamentos médicos, o que favorece uma democratização mais rápida do acesso.