Um novo estudo divulgado pela Firjan, intitulado "Anuário do petróleo no Rio 2026", projeta que o Brasil e a América Latina podem emergir como os maiores beneficiados de uma profunda transformação no mercado de energia global. Essa mudança de cenário ocorre mesmo diante de potenciais desfechos positivos nas conversas de paz entre Estados Unidos e Irã, indicando que a instabilidade geopolítica atual moldará o setor de forma duradoura.
A pesquisa consolida a América Latina como uma nova potência petrolífera, com o Brasil à frente, impulsionado pelas vastas reservas do pré-sal e por uma frota moderna de plataformas FPSO. A região ganha destaque por sua capacidade de expandir a produção e apresentar menor exposição a riscos geopolíticos em comparação com os tradicionais produtores do Golfo Pérsico.
O estudo da Firjan sugere que a precificação futura do barril de petróleo não dependerá apenas dos custos de produção. Fatores como segurança, logística e risco geopolítico das rotas de exportação ganharão mais peso. Nesse contexto, produtores localizados fora de áreas sujeitas a turbulências, como o Brasil e outros países latino-americanos, tendem a aumentar sua relevância no mercado global, mesmo que seus custos operacionais sejam mais elevados.
Além do Brasil, a Guiana e o Suriname são mencionados como destaques na América Latina, com perspectivas de crescimento na produção argentina e uma possível retomada gradual na Venezuela. No Brasil, o pré-sal já responde por mais de dois terços da produção nacional, com projeções de pico em 2032. O Estado do Rio de Janeiro é apontado como o principal polo produtor nacional, com expectativa de criação de 1.400 empregos no setor até o fim de 2027. Paralelamente, a crise reforça a importância da diversificação energética como estratégia de segurança nacional, e não apenas ambiental, o que pode acelerar a eletrificação e reduzir a demanda por petróleo no médio prazo.
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